Júnior Almeida – Rios de Notícias
BRASÍLIA (DF) – A Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra de sigilos bancários e fiscal do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de incluir o depoimento de Michelle Bolsonaro sobre o esquema internacional da venda de joias e presentes recebidos ao longo do mandato de Bolsonaro.
O pedido da PF ocorre depois da operação realizada nesta sexta-feira, 11/8, com buscas e apreensões no endereço do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Houve também buscas na casa do pai de Cid, o general da reserva Mauro Lourena Cid e o advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef. A possível ligação entre o ex-presidente e a venda de joias e objetos de valor realizada por seus assessores, deixam o ex-chefe do executivo mais próximo do envolvimento no caso.

De acordo com o relatório da PF, os itens de luxo foram publicados no catálogo de Dia dos Namorados da Fortuna Auction, em 30 de janeiro, com preço estimado entre US$ 120 mil e US$ 140 mil. O leilão da peça aconteceu no começo de fevereiro.
As investigações apontam que “há fortes indícios de que os investigados usaram a estrutura do Estado brasileiro para desviar bens de alto valor patrimonial entregues por autoridades estrangeiras ao presidente da República, à época”.
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Segundo investigadores, houve um movimento de ocultação dos recursos provenientes da negociação. Segundo o documento, “os valores obtidos dessas vendas eram convertidos em dinheiro em espécie e ingressavam no patrimônio pessoal do ex-presidente da República, o que não deveria acontecer, já que se tratava de bens da União.
Os sinais da PF são claros e evidenciam que as investigações em curso levam o nome do ex-presidente no cruzamento de dados que sustentam as conclusões do relatório.
Alexandre de Moraes
A decisão que embasou a operação desta sexta-feira para apurar desvios de objetos da União é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
O magistrado afirmou que, de acordo com dados analisados pela Polícia Federal, há a “possibilidade” de que o Gabinete Adjunto de Documentação Histórica do Gabinete Pessoal da Presidência da República tenha “sido utilizado para desviar, para o acervo privado do ex-presidente da República, presentes de alto valor, mediante determinação de Jair Bolsonaro (PL)”. A defesa de Jair Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o caso.
Leia na íntegra o relatório com base na decisão de Moraes.






