Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O filme “Enquanto o Céu Não Me Espera” ganhou destaque internacional e será exibido no FESTin — Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, que acontece entre os dias 2 e 8 de junho, em Lisboa, Portugal. A produção, dirigida por Christiane Garcia, será exibida no dia 6 de junho, às 21h, no Fórum Lisboa.
Christiane Garcia celebrou o reconhecimento internacional da produção amazonense: “É meu primeiro longa-metragem de ficção e, desde a estreia nacional no Festival de Brasília e a internacional no Festival de Havana, ambos em dezembro do ano passado, o filme tem sido muito bem recebido pelo público e pela crítica especializada. É o resultado do amadurecimento do audiovisual amazonense como expressão cultural”, afirmou.
Filmado nos municípios de Manacapuru e Iranduba, na região metropolitana de Manaus, o longa conta com um nome de peso no elenco: Irandhir Santos, conhecido por seu trabalho em Tropa de Elite 2 (2010) e nas novelas Amor de Mãe (2019) e Pantanal (2022).
Segundo a diretora, o papel principal foi escrito especialmente para o ator: “Escrevi o roteiro para o Irandhir Santos, nunca cogitei a possibilidade de outro ator interpretar o protagonista. Também não pensei muito em como o roteiro chegaria até ele. Apenas escrevi. Irandhir não é só um ator incrível, é um ‘parente’ que carrega vários ‘Brasis’ dentro dele. Sua alma se conecta rapidamente com a verdade de cada lugar que o chama”, destacou.
Uma história ribeirinha e pessoal
A produção conta a história do agricultor Vicente (interpretado por Irandhir Santos), que luta para manter sua família em um pequeno sítio, mesmo enfrentando as dificuldades causadas pelas cheias dos rios. O personagem foi inspirado no avô da diretora, um ex-soldado da borracha.
“Vicente é uma memória pessoal do meu avô pernambucano e dos meus outros parentes ribeirinhos, presentes na minha infância no interior do Amazonas”, revelou.
Na trama, Vicente enfrenta os conflitos com sua esposa Rita (Priscilla Vilela), que deseja deixar o sítio e se mudar para Manaus com os filhos, tentando fugir das consequências das mudanças climáticas e de uma vida em crise.
Christiane explica que a narrativa é baseada em suas próprias vivências como mulher nascida e criada no Rio Maués-Açu, no município de Maués, interior do Amazonas: “O filme tem como base minha experiência no cotidiano ribeirinho. É uma perspectiva feminina de quem vivencia a Amazônia e compreende a relação íntima entre os ribeirinhos e os ciclos da natureza.”
Ela também faz questão de destacar o ponto de vista adotado no longa: “A Amazônia, frequentemente, é retratada no cinema a partir do olhar de um visitante. Aqui, a narrativa se constrói sob o olhar de uma pessoa ribeirinha, de dentro para fora.”

Recorte da agricultura familiar e novo projeto em andamento
A diretora explicou ainda que o recorte da agricultura familiar foi uma escolha consciente para aprofundar a linguagem do filme: “Para escrever o roteiro, além da minha própria vivência, escolhi me debruçar sobre essa atividade específica. Fizemos várias visitas de campo — primeiro para definir a abordagem narrativa e, depois, com a equipe e os atores, para amadurecer os aspectos técnicos e visuais.”
Por fim, Christiane revelou que já está trabalhando em um novo projeto voltado à cultura local do Amazonas: “No momento, estou na fase de pré-produção do meu próximo longa-metragem, A Promessa, que vai contar a origem do Boi-Bumbá de Parintins.”






