Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Teatro Amazonas, no Centro Histórico de Manaus, será palco da aguardada estreia de “MAWÉ – O Filme”, dirigido por Jimmy Christian, na próxima quarta-feira, 28/5, às 20h,. A obra narra o romance quase impossível entre um indígena Sateré-Mawé e uma modelo em ascensão na capital amazonense.
O Portal Rios de Notícias conversou com os protagonistas do longa-metragem: o parintinense Afrânio Pires, 50 anos (Mawé adulto); Bruno Castro, 37 anos (Mawé jovem); e a atriz Alice Toledo, 25 anos (Luciana Sarkys), sobre os desafios, os momentos inesquecíveis e a expectativa para a estreia.

Desafios em cena
Na sétima arte, a atuação sempre impõe desafios. Para Bruno Castro, o maior foi superar a timidez diante das câmeras. Já para Afrânio Pires, o foco esteve na busca por uma conexão genuína com o personagem. Para Alice Toledo, a experiência foi uma intensa jornada de autoconhecimento.
“Com certeza, o maior desafio foi ser confiável e verdadeiro, viver uma busca constante de conexão com a emoção, para uma atuação a mais verossímil possível, tornando-a autêntica e atraente”, destacou Afrânio.
Bruno, que não possui formação em atuação, destacou a entrega emocional necessária: “Nunca fiz curso para este papel. A experiência foi mínima, então a ideia de representar o sofrimento e a rejeição que o personagem enfrenta exigiu muito esforço. Precisei reviver sensações ruins da minha vida, oriundas de preconceitos e discriminação racial.”
Alice relembrou o impacto emocional desde o início das filmagens: “O maior desafio foi começar o processo com a personagem à flor da pele. A primeira cena exigia uma carga emocional intensa; precisei acessar lugares desconhecidos dentro de mim. Algumas cenas exigiram exposição emocional e física, uma entrega artística profunda, que só foi possível graças ao respeito e sensibilidade da equipe em cada etapa.”

Momentos inesquecíveis
Para Afrânio, todo o processo foi marcante, desde o convite do diretor amazonense Jimmy Christian até a convivência com a equipe no set. “Foi além da experiência de participar de uma grande obra cinematográfica; foi a magia de ver o roteiro ganhar vida pulsante”, expressou.
Bruno destacou a vivência cultural proporcionada pelo filme: “Viver essa experiência como ator me permitiu identificar mais com a luta dos indígenas por sua sobrevivência, em meio ao caos imposto pela falta de empatia do homem branco e da sociedade que os despreza. Visitei a comunidade Sateré-Mawé, que serviu de locação, passei por um ritual de benzimento e vi pela primeira vez como é feita a coleta das formigas Tucandeiras. Tudo foi inesquecível.”
Alice também ressaltou a intensidade do processo: “Mesmo fora das câmeras, eu carregava a dor da personagem, como se ela tivesse grudado em mim por dias. O mais marcante foi a união de todos. Tivemos um dia de imersão em que filmamos por 24 horas, atravessando a madrugada fria e chuvosa, com cenas emocionalmente exigentes. Entendi o poder da arte feita com verdade e afeto.”
Potencial internacional
Apesar do cansaço, Alice lembra que cada cena concluída era celebrada com palmas e alegria. “Era como se todos vibrassem na mesma entrega.”

As filmagens de MAWÉ proporcionaram vivências únicas aos protagonistas, com dias produtivos tanto na floresta quanto na cidade.
“É um filme com potencial para ser visto no Brasil e no exterior. Agradeço ao diretor Jimmy Christian pelo convite e a toda a produção. Sinto orgulho dessa oportunidade de reencontro com minhas raízes”, afirmou Bruno, intérprete de Mawé jovem.
Afrânio também celebrou a trajetória do projeto: “São quatro anos de espera muito válidos. Estou muito feliz como artista por estar nesta obra, que representa muito para o cinema regional brasileiro e para nossa cultura como um todo.”
“É uma mistura de nervosismo, orgulho e gratidão. Mal posso esperar para que o público sinta o que sentimos ao fazer cada cena de MAWÉ. Estou ansiosa, feliz e honrada por fazer parte dessa obra tão profunda. Ver o filme ganhar vida e ser celebrado no palco do Teatro Amazonas, um símbolo da nossa cultura, é emocionante demais”, concluiu Alice ao Portal Rios de Notícias.
MAWÉ – A trama
Na Amazônia, os Sateré-Mawé ainda mantêm seus tradicionais rituais de passagem da juventude para a fase adulta, marcados por valores e resistência, como o enfrentamento da dor provocada pelas formigas gigantes (Tucandeiras), que comprova coragem e preparo para a vida adulta.
O jovem Mawé (Bruno Castro) não passa pelo ritual e, rejeitado pela comunidade, foge para Manaus, magoado. Na cidade grande, ele enfrenta os “venenos” que a vida urbana pode oferecer. O adulto Mawé (Afrânio Pires) aprende a sobreviver com a ajuda do excêntrico fotógrafo Timoty (Jimmy Christian).
Vivendo uma tímida e solitária rotina, Mawé se apaixona pela modelo em ascensão Luciana Sarkys (Alice Toledo). O romance se transforma em um amor irresistível ou em uma obsessão? É o que o público vai descobrir na estreia do filme.






