Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Projeto que torna obrigatório o uso de focinheira e guia curta para cães de grande porte em áreas comuns de condomínios em Manaus, foi retirado de pauta na segunda-feira, 12/5, após protesto do vereador Aldenor Lima (União Brasil) que gerou uma discussão no plenário da Câmara Municipal.
Em trecho do discurso, o vereador comparou o tratamento proposto aos animais ao de humanos com força física: “Fazendo uma analogia ao ser humano, imaginem só que tem um ser humano que pratica esporte, que seja musculoso, que seja praticante de algum esporte, uma arte marcial… imagina só, se ele tiver que andar algemado pelo seu poder de agressão, pelo seu poder de força. E é isso que esse projeto de lei está querendo fazer”, declarou Aldenor.
Defensor da causa animal, Aldenor Lima classificou a matéria como um retrocesso e fez uma analogia polêmica durante sua fala, que repercutiu fortemente no plenário e nas redes sociais.
“A causa animal demorou tantos anos para avançar e ter representantes no parlamento. Com esse Projeto de Lei, estamos retrocedendo. Hoje, os animais têm direito até de viajar na poltrona de uma aeronave, enquanto esta Casa quer votar um projeto que amordaça e restringe a circulação deles”, afirmou.
Já o autor da proposta, Capitão Carpê, defendeu o texto argumentando que o foco é a segurança das pessoas.
“Ninguém quer retroagir a causa animal, mas não dá para esquecer que existem seres humanos”, afirmou, destacando que episódios recentes de ataques caninos motivaram a iniciativa.
A proposta previa a obrigatoriedade do uso de focinheira e guia para cães com mais de 25 kg ou pertencentes a raças robustas. Uma emenda da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) endurecia ainda mais a medida, reduzindo o limite de peso para 20 kg. O objetivo, segundo o texto, era garantir mais segurança em ambientes compartilhados, prevenindo ataques e acidentes com animais.
Repercussão nas redes
A fala de Aldenor Lima viralizou nas redes sociais. Conhecido por atuar em defesa da causa animal, o vereador movimentou as plataformas digitais, recebendo elogios e críticas.
Alguns internautas se posicionaram contra o projeto, argumentando que o critério para o uso de focinheira deveria ser o comportamento do animal, e não o porte: “Querem aprovar projeto de lei obrigando animais de 20 kg a usar focinheira, sendo que o correto é obrigar o uso para animais AGRESSIVOS, independente do porte do animal”, disse um usuário.
Outra pessoa acrescentou: “Existem muitos cães de porte pequeno que apresentam mais perigo e reatividade do que um cão de grande porte.”
Em contrapartida, algumas manifestações apoiaram a proposta, especialmente ao mencionar o convívio com cães em áreas comuns: “Imagina só você com seu bebê recém-nascido em um carrinho no elevador, OBRIGADA a aceitar um cachorro que apresente perigo.”
Houve também usuários que ironizaram o debate ou criticaram a comparação feita pelo parlamentar: “Idiotice. Comparar animal com um ser humano.” Outros cobraram mais seriedade da Casa Legislativa: “O parlamento municipal tá muito fraco de parlamentares. Meu Deus!”.
Para alguns, a discussão foi considerada infrutífera e desconectada das necessidades reais da população: “Na realidade paralela, do prefeito e dos vereadores da base, a cidade está perfeita. Por isso, estão debatendo esses temas. Uma das piores gestões municipais de todos os tempos.”






