Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O senador Omar Aziz (PSD) utilizou o termo “denegrindo” durante uma entrevista ao comentar sobre a corrida eleitoral de 2026, afirmando que “quer debater o estado e não entrar em baixaria”.
“Isso não dá prosperidade pra ninguém, isso não enche barriga de ninguém. Isso aí fica alguns que não tem nenhum compromisso com o estado, atacando, denegrindo e tal. Não, eu preciso debater o estado”, declarou o senador.
A expressão gerou críticas por parte da Associação Coletivo Negro Consciente, que a considera de cunho racista. A fala do senador aconteceu durante entrevista ao portal Planeta 92, na sexta-feira, 3/5.
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O termo “denegrir” tem origem no latim denigrare, que significa “tornar escuro” ou “manchar”. Embora essa seja sua definição literal, o uso figurado da palavra, associado a ações negativas como difamar ou caluniar, é considerado problemático por reforçar estereótipos racistas.
Ricardo Chaves, um dos líderes da Associação Coletivo Negro Consciente, explica por que expressões como essa são consideradas de cunho racista.
“A palavra denegrindo vem de denegrir, que no sentido figurado é escurecer ou tornar preto. Só que com o racismo estrutural tão presente no nosso país, no nosso dia a dia, muitas das vezes as pessoas usam denegrir para algo ruim, que é errado. A gente já vem há um tempo tentando desconstruir essas falas. Sim, é uma expressão racista”, afirmou ele.
Ele também ressalta a necessidade de abandonar o uso dessas expressões, pois reforçam o racismo enraizado na sociedade.
“A expressão denegrir por si só, ela já carrega uma conotação pejorativa, racista, que assimila o tornar algo ruim por ser negro. É a mesma coisa de falar que a coisa tá preta, tudo que é preto é ruim, e não é. A gente precisa tirar essas falas”, explicou ele.
A associação recomenda substituir o termo “denegrir” por alternativas como “difamar”, “caluniar” ou “manchar”, promovendo uma linguagem mais inclusiva e respeitosa.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a assessoria do senador Omar Aziz para pedir esclarecimentos sobre o termo usado. No entanto, a reportagem não recebeu resposta até a publicação desta matéria.






