Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – No mês Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado no dia 2 de abril, o Portal RIOS DE NOTÍCIAS divulgou dois casos de agressões e maus-tratos à crianças autistas dentro das escolas municipais.
As denúncias chamaram a atenção dos políticos da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Os tribunos repercutiram nessa quarta-feira, 30/4, no plenário as agressões.
Para atualizar o caso, o riosdenoticias.com.br voltou a contatar Denise Albuquerque, mãe da criança autista de 4 anos que teria sido agredida na cabeça por uma professora do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Dom Bosco, localizado no bairro Vila da Prata, zona Oeste de Manaus .
“A matéria está nos ajudando. O assessor da deputada Joana Darc viu e falou que eles vão acompanhar o caso do meu filho. Também a assessoria do vereador Eurico Tavares entrou em contato. O vereador Paulo Tyrone foi o primeiro a quem pedir ajuda. Um documento também será enviado ao Ministério Público para ser protocolado e encaminhado à promotoria”, explicou a mãe.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com os vereadores Paulo Tyrone (PMB) e Eurico Tavares (PSD), além da deputada estadual Joana Darc, do União Brasil (UB).
Paulo Tyrone se manifestou nesta quarta no plenário da CMM sobre o caso e apresentou um requerimento à Secretaria Municipal de Educação (SEMED), solicitando esclarecimentos e informações sobre a situação do aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ocorrida no Cmei Dom Bosco.

O documento foi aprovado pelos vereadores durante a sessão plenária e agora segue para a Divisão de Registro Parlamentar. Defensor da causa da pessoa com autismo, Tyrone também solicitou a abertura de investigação administrativa, esclarecimentos por parte da gestora sobre o ocorrido e acompanhamento para a criança.
“Mais um caso de agressão contra criança com TEA, não podemos mais permitir que casos como esse se repitam, principalmente em um ambiente que deve ser acolhedor e seguro para nossas crianças”, enfatizou Tyrone.
Investigação dos casos
O vereador Eurico Tavares (PSD) – que tem elaborado leis em defesa das pessoas com TEA – também tomou providência sobre o caso. O parlamentar soube da situação através do Portal RIOS DE NOTÍCIAS que fez a matéria exclusiva sobre os maus-tratos da criança, do Cmei Dom Bosco e do Centro Integrado Municipal de Educação (CIME) Lúcia Melo Ferreira Almeida.
“Muita gente mandou para o vereador a reportagem do RIOS DE NOTÍCIAS. Vimos a situação e começamos a ir atrás. O vereador faz questão de falar sobre o ocorrido. Conseguimos o contato com a mãe desta criança que vai na segunda-feira, 5/5, na Câmara com o vereador para ter essa visão geral do que é preciso ser feito”, disse a assessoria.

“As agressões à crianças autistas – e não autistas também – que têm vindo à tona, são prova social de que precisamos agir de forma veemente contra isso. Denunciei há algumas semanas a agressão de uma criança autista numa escola particular de Manaus. Agora me deparo com essa agressão em uma escola pública e não vou calar. Já acionei a mãe e ela terá meu apoio no que for necessário, também pedirei providências emergenciais sobre as investigações e punição dos envolvidos. As mães atípicas já sofrem lutando por seus direitos e ainda precisam lidar com a agressão de seus filhos dentro de lugares que deveriam ser seguros?”, explicou Eurico Tavares


O reportagem também falou com a deputada Joana Darc, do União Brasil (UB). “Eu fiz a denúncia na tribuna nesta quarta-feira”, comunicou.
Segurança e apoio educacional
A mãe Denise Albuquerque acha importante o interesse dos políticos sobre os problemas enfrentados no dia a dia pelos autistas e espera justiça.
“Os políticos estão em uma posição que podem ampliar a nossa voz e cobrar, temos várias camadas nessa situação, mas eu espero que a Semed tome alguma providência para que não aconteça mais com outros estudantes com TEA”, desabafou.
De acordo com a cirurgiã dentista o ocorrido com seu filho não pode mais ser revertido, para ela as escolas precisam mudar a postura profissional e ter mediadores para ajudar.
“Tem que parar de acusar uma criança autista, de gestores serem acobertados ou ignorar essas graves situações nas escolas. Espero que tenha punição a professora que precisa arcar com as consequências judiciais. Em uma sala onde só tem um adulto e criancinhas de 4 anos, sem câmeras, sem um auxiliar ou mediador, o professor se sente confortável para ser autoritário ou agressivo. Tem que ter medidas de segurança [câmeras] e apoio com mediadores, senão cria-se um ambiente favorável à maus tratos e abusos”, refletiu a mãe do menino.
Denise Albuquerque pede a Semed que os professores sejam mais capacitados, e menos sobrecarregados, justamente para evitar que situações de estresse cheguem a esse ponto. “Entendo que uma criança autista gera uma demanda de atenção maior, mas o que não pode acontecer é a criança ser prejudica e traumatizada por um adulto”, finalizou.
Areportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) desde terça-feira, 29/4, para solicitar um posicionamento sobre este caso e aguarda resposta. O espaço segue aberto para manifestações da pasta.






