Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O mundo volta os olhos para a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) nesta quarta-feira, 2/4, um movimento essencial para reforçar a inclusão e o respeito. No centro dessa jornada estão as mães atípicas, que enfrentam diariamente desafios para garantir um futuro melhor para seus filhos autistas.
A maternidade atípica exige dedicação integral, adaptação contínua e, muitas vezes, renúncia pessoal. Para Helena Lúcia Nery, técnica de enfermagem e mãe solo, a descoberta do autismo do filho, Ângelo Miguel, de 11 anos, transformou completamente sua rotina.
“No início, eu não achava que era autismo. Diziam que era birra ou mimo. Mas em 2020, notei dificuldades na fala e um retrocesso no desenvolvimento. Em 2021, veio o diagnóstico. Desde então, minha vida é dedicada a ele, é um trabalho integral ser mãe solo”, conta Helena ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS.

Desafios diários e barreiras invisíveis
Cada família vivencia o autismo de forma única, mas muitas enfrentam obstáculos semelhantes. Para Jussara Costa de Souza, dona de casa e mãe de Francisco Emanuel, de 15 anos, um dos maiores desafios é o transporte público.
Francisco tem transtorno sensorial, o que torna atividades cotidianas, como pegar ônibus, extremamente difíceis.
“Quando precisamos ir ao psicólogo ou ao neurologista, atravessamos a cidade até a zona Leste. No ônibus, ele passa muito mal, tem vômitos, desmaios, falta de ar. Mas as pessoas não têm empatia. Uma vez, ele desmaiou nos meus braços e ninguém foi capaz de ceder um lugar”, desabafa Jussara.

A falta de suporte nas escolas é outro grande desafio. Apesar da legislação garantir o direito a mediadores, a realidade é diferente.
“As pessoas falam sobre inclusão, mas nem sempre praticam. Meu filho ainda não conseguiu um mediador, apesar do laudo indicar essa necessidade”, relata Helena Lúcia.
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O impacto positivo da informação e do acolhimento
A troca de experiências e o acesso a conteúdo informativo são aliados importantes para muitas famílias atípicas. Segundo o relato do ouvinte da Rádio RIOS FM 95,7, Augusto Silva, avô de Pedro Henrique, de sete anos, diagnosticado com TEA, o neto encontrou na programação do Jornal da Rios um momento de tranquilidade.
“O Rádio Rios ajudou muito. Pela manhã, eu tinha dificuldade com ele, porque ficava muito agitado e ansioso. Depois que ele passou a ouvir e até mesmo assistir pelo YouTube, percebi que ele se acalmava bastante. Já no início do jornal, quando vocês dão ‘Bom dia’, ele responde: ‘Bom dia, Rios’”, conta Augusto.

Sonhos e metas
As mães atípicas abrem mão de muito para garantir o bem-estar dos filhos. Jussara sonha em ver Francisco inserido no mercado de trabalho e vivendo em um mundo mais acolhedor.
“Minha meta é que ele tenha um bom emprego e não sofra tanto preconceito”, diz.

Apesar das lutas diárias, o carinho e amor incondicional do filho é o que mantém Helena Lúcia firme na busca por melhorias.
“Quando ele se sente seguro, ele se entrega por inteiro. Ele é amoroso, carinhoso e muito protetor. Amo meu filho. Um abraço dele me faz muito bem, até o medo passa. Outro dia, ele me disse: ‘Mamãe, só quero te dar um abraço e dizer que te amo muito’”, relata emocionada.

Leis garantem direitos
A legislação brasileira tem avançado na garantia de direitos para pessoas autistas. A Lei Berenice Piana (12.764/2012) e a Lei Romeo Mion (13.977/2020) asseguram acesso prioritário a serviços e reconhecem o TEA como uma deficiência para fins legais.
A psicóloga Giselle Melo destaca a importância do uso dos cordões de identificação.
“Os cordões ajudam a sociedade a respeitar as necessidades da pessoa autista, promovendo acessibilidade e inclusão em espaços públicos e privados”, explica.

Entre os direitos garantidos às famílias atípicas estão a redução da jornada de trabalho para servidores públicos, ajustes de horário em empresas privadas, acesso a diagnóstico precoce, inclusão escolar com mediador especializado e atendimento multiprofissional na saúde.






