Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O uso de celular na sala de aula é um tema que desperta debates e opiniões divergentes na comunidade educacional. De um lado há os defensores da tecnologia como uma ferramenta valiosa para enriquecer o processo de aprendizado, enquanto, do outro lado existem os que veem o celular como uma distração prejudicial ao desempenho acadêmico.
Em meio a debates sérios e polêmicos, o uso do celular em salas de aula ganha destaque nacional e internacional. Com a evolução da tecnologia e a disseminação dos dispositivos móveis, é quase impossível evitar a presença de celulares em sala de aula.
E os estudantes estão cada vez mais conectados e familiarizados com esses aparelhos, o que pode ser uma oportunidade para incorporá-los de forma positiva no ambiente educacional.
O celular pode ser utilizado como uma fonte de pesquisa instantânea, permitindo o acesso à informações atualizadas e variadas, enriquecendo os debates em sala de aula. Além disso, aplicativos educacionais podem ser utilizados para estimular a criatividade, auxiliar no desenvolvimento de habilidades específicas e até mesmo tornar as aulas mais dinâmicas e interativas.
Contudo, é importante reconhecer os riscos do uso descontrolado do celular em sala de aula. O acesso às redes sociais, jogos e outros aplicativos não relacionados ao ambiente acadêmico pode levar à dispersão e prejudicar o aprendizado. O desafio dos educadores é promover o uso responsável do celular, orientando os alunos a utilizarem a ferramenta e toda sua tecnologia de forma consciente e respeitosa durante as atividades escolares.
Atualmente, apenas um entre quatro países possui leis ou políticas que proíbem o aparelho celular. O Brasil discute uma legislação específica sobre o tema.
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No Amazonas, a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado (Sinepe-AM) e gestora educacional, Laura Cristina Andrade, acredita que educação e tecnologia são inseparáveis, mas é necessário analisar como o celular é utilizado em sala de aula, buscando estabelecer um controle e orientação para um uso consciente.
“É um tema delicado, polêmico e atual, pois hoje em dia a gente quando pensa em celular, pensa também em tecnologia, no avanço da educação. Então realmente é um assunto delicado e polêmico para tratar”, pontua Laura.
O Brasil enfrenta o desafio de encontrar uma solução equilibrada para incorporar a tecnologia na sala de aula, ainda em fase de discussão e análise.
Ela acredita, que hoje em dia, educação e tecnologia são conceitos inseparáveis. No entanto, também enfatiza a importância de analisar como o celular é utilizado em sala de aula: “é para acompanhar a aula, usar aplicativos para melhorar o aprendizado ou para outros fins?”
“Acredito que, hoje, falar em educação sem incluir a tecnologia você não esta mais falando de educação. A educação evolui, está sempre mudando e a tecnologia e o aparelho celular fazem parte disso. Mas, entendo que é preciso ver de que forma esse aparelho está sendo utilizado em sala de aula“
A gestora ressalta que é fundamental estabelecer um controle sobre o uso do celular, assim como é necessário em outras áreas da vida. O objetivo é encontrar um equilíbrio e orientar os alunos a utilizarem essa ferramenta de forma inteligente e consciente.
“É preciso ter um controle sobre o uso desse celular, como tudo na vida. É preciso haver um controle, um equilíbrio e não deixar solto para que os alunos possam usar da maneira que quiserem. Tem que haver um uso direcionado e orientado”
Laura Cristina Andrade, Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado (Sinepe-AM)
Laura Andrade enfatiza que o celular pode se tornar uma ferramenta de trabalho para os professores, desde que seja utilizado de maneira adequada. Portanto, “o desafio é promover um uso direcionado e orientado, permitindo que a tecnologia seja uma aliada no processo educacional, em vez de uma distração”.
O Brasil enfrenta uma importante discussão que requer atenção dos legisladores e da comunidade educacional, buscando encontrar uma solução equilibrada e eficiente para incorporar a tecnologia, como o celular, na sala de aula.
A professora de Literatura e Língua Portuguesa, Tais Fabiani Lima, que dá aulas em uma escola onde os aparelhos são terminantemente proibidos, defende a liberdade do uso do celular, acreditando que os alunos devem aprender a utilizá-lo de forma consciente, considerando o crescimento da tecnologia digital.
“Acredito que esse não é o caminho certo. Vivemos um tempo em que a tecnologia digital cresce absurdamente e faz-se necessário que nossos alunos aprendam a fazer o uso consciente dessa ferramenta incrível”, disse Taís.
Embora ainda não exista uma lei no Brasil sobre o assunto, o tema está em debate e análise, com foco em determinar em quais situações o celular será permitido, seja para enriquecer o conhecimento dos estudantes ou para fins de lazer.
Para Taís, desde que os alunos estejam cientes dos prós e contras, não há motivo para restringir seu uso.
“O conhecimento transforma. Nesse sentido, privar o aluno do celular apenas o impede de aprimorar saberes. Penso que a partir do momento que eles forem educados para o uso da ferramenta, eles também estarão a par dos problemas que isso pode gerar. É o momento de apresentar para eles.”, declarou a professora.
Laura que está frente da Educação Privada do Amazonas, acredita que se for para melhorar a educação e diminuir as distrações enriquecendo as aulas, o uso do celular nas escolas pode ser benéfico, mas deve ser encontrado um equilíbrio.
“Tem que ser encontrado um equilíbrio, se tirar o aparelho pode ser que nós estejamos tirando uma ferramenta importante para o professor trabalhar melhor, mas se for liberado totalmente, é preciso ver pelo lado de que, se utilizado para distração, acabará acarretando no baixo rendimento”
A criação de políticas e diretrizes claras sobre o uso do celular em sala de aula é essencial para estabelecer limites e garantir que a tecnologia seja uma aliada, e não uma adversária, no processo educacional. Além disso, é importante envolver os estudantes nesse debate, buscando entender suas perspectivas e necessidades, a fim de construir um ambiente de aprendizagem mais eficiente e adaptado aos desafios do século XXI.
O uso do celular na sala de aula é uma questão que requer uma abordagem equilibrada e consciente por parte de todos os envolvidos no processo educacional. Com diálogo aberto, colaboração e o estabelecimento de práticas adequadas, é possível aproveitar o potencial educativo da tecnologia e preparar os estudantes para um mundo cada vez mais conectado e tecnológico.






