Por Júlio Gadelha – Analista político
O assunto da semana foi que vereadores rejeitaram um pedido de explicações do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), por conta da viagem realizada para o Caribe. A pergunta que não quer calar é: qual o critério que os parlamentares utilizam?
Enquanto isso, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), responsável por fiscalizar o cumprimento da lei e defender os interesses da sociedade, aceitou a denúncia (vinda de um parlamentar, inclusive) e iniciou uma investigação sobre possível caso de corrupção.
Enquanto isso, os vereadores da base aliada ao prefeito, que têm o dever constitucional de fiscalizar o Executivo Municipal (ou seja, a prefeitura), rejeitaram um pedido formal de informação – sem apresentar um motivo razoável.
O prefeito já até justificou à imprensa: “viajei com meus próprios recursos”, “não cometi qualquer ilegalidade” e “me desculpei com Deus”, ao reconhecer que estava em uma festa em vez da igreja em sábado de comemoração de aniversário de sua esposa, a primeira-dama Izabelle Fontenelle.
No entanto, a recusa dos vereadores em buscar esclarecimentos agrava a crise política. O silêncio alimenta a desconfiança.
Se houve um erro, o caminho mais sensato seria assumir a falha e redirecionar o debate para soluções concretas, como investimentos em drenagem urbana, assunto tão cobrado em sua ausência após as fortes chuvas que castigaram a cidade. Isso traria mais credibilidade do que inaugurar um “touro de ouro” na Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza Urbana) logo após voltar da viagem.
No fim das contas, os esclarecimentos terão que ser prestados à Justiça, em um processo muito mais rigoroso e com risco de punição. Tal crise, que poderia ter sido resolvida com transparência em poucos dias, agora se arrasta e desgasta todo o governo municipal em menos de três meses da ‘nova gestão’.