Nicolly Teixeira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Neste 27 de janeiro, a tragédia da Boate Kiss completa 12 anos, marcando um dos episódios mais dolorosos da história recente do Brasil. Naquela noite fatídica, cerca de 1.500 pessoas estavam no local para uma festa universitária, embora o espaço tivesse capacidade para apenas 641. O incêndio resultante matou 242 jovens e deixou uma cidade devastada pela perda e pelo sofrimento.
Anualmente, a cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, se mobiliza para lembrar as vítimas e os sobreviventes. A Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), junto ao Coletivo Kiss: Que Não Se Repita e outras entidades, organiza uma série de atos em homenagem aos que partiram e aos que sobrevivem com a dor dessa tragédia.
Entre as atividades estão uma vigília na Praça Saldanha Marinho, uma caminhada silenciosa até o local da boate, e o “Muro da Memória”, onde fotos das vítimas são afixadas e velas são dispostas formando o número 242, em referência ao número de mortos. Além disso, a comunidade realiza o “Minuto do Barulho”, que ocorre no horário aproximado em que o incêndio teve início, como forma de recordar a tragédia.
No local onde a boate funcionava, está em construção um memorial em homenagem às vítimas e sobreviventes. O projeto do memorial foi escolhido por meio de um concurso nacional de arquitetura e está previsto para ser inaugurado em março de 2025, representando uma lembrança permanente e um espaço de reflexão sobre os acontecimentos daquele dia.
A Tragédia de 27 de Janeiro de 2013
Por volta das 2h30, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista da banda disparou um sinalizador, cujas faíscas atingiram o teto da boate. O material inflamável, uma espuma de isolamento acústico, rapidamente pegou fogo. Essa espuma, que havia sido exigida pelo Ministério Público em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), não possuía qualquer proteção contra fogo, um detalhe que permaneceu sem alteração na legislação até os dias atuais.
Embora os integrantes da banda e um segurança, identificado como Zezinho, tenham tentado apagar as chamas com água e extintores, o fogo se espalhou rapidamente.
Em questão de minutos, uma espessa fumaça tomou conta de todo o ambiente, tornando a situação caótica. A falha na comunicação entre os seguranças e a falta de preparação para emergências agravaram ainda mais a tragédia. Os seguranças, inicialmente, acreditaram que o tumulto nas saídas era causado por pessoas tentando sair sem pagar, além de suspeitarem de uma possível briga.
Isso resultou no bloqueio das saídas, impedindo que as pessoas deixassem o local. Muitos, então, confundiram as portas dos banheiros com saídas de emergência e tentaram escapar por ali. Tragicamente, a maioria das vítimas foi encontrada nas cabines dos banheiros, vítimas da confusão e do pânico.
A Boate Kiss, que deveria ser um espaço de diversão e celebração, se transformou em um símbolo de dor e luto para centenas de famílias.






