Conceição Melquíades – Rios de Toadas
MANAUS (AM) – O advogado de defesa Vilson Benayon divulgou um vídeo em que aparece um grupo de policiais militares invadindo uma distribuidora, que também é a residência de uma mulher, que foi torturada, ameaçada e presa, na última quarta-feira, 12/7, no bairro Educandos, zona Sul de Manaus.
Benayon afirma que os policiais truculentos chegaram em dois carros descaracterizados, uma S-10 e um Ônix branco, placas frias. Armados de fuzil, eles quebraram a grade do estabelecimento.
Ao advogado, a mulher identificada como LSB, disse que o grupo policial se chegou e, após invadirem o imóvel, eles não apresentaram nenhum documento ou mandado judicial, apontando o fuzil para intimidá-la. Eles perguntavam pelo namorado dela, que teria sido denunciado como traficante.
Leia também: ‘Operação Ocupação’ das Forças de Segurança segue durante a semana em bairros de Manaus
Vilson Benayon disse ainda que o local foi todo revirado pelos policiais. A mulher foi algemada e torturada. “Eles deram coronhadas na cabeça da LSB”, informou o delegado.
“Mesmo dizendo que só abriria a porta na presença do meu advogado, eles invadiram a casa, me agrediram com tapas, socos e coronhadas na minha cabeça querendo saber onde estava meu namorado”, disse a mulher, que relatou que os policiais se identificaram como membros da Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seaop) da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).
Após ter todo o local revirado, LSB foi colocada dentro de uma “viatura descaracterizada’. No veículo havia um homem detido.
O advogado disse que o homem foi solto pelos agentes em determinado local, durante o trajeto. E que o homem pode ser um traficante.
“Não foi encontrado nada de entorpecente dentro do estabelecimento. Minha cliente contou que quando entrou na viatura descaracterizada tinha um traficante preso e esse traficante não foi apresentado no 1° DIP, ele foi liberado no meio do caminho”, relata o advogado.
Na delegacia, os agentes apresentaram celulares, drogas, balanças de precisão e uma pistola, que alegaram ter encontrado o material no estabelecimento de LSB.
Circuito de câmera
O advogado acusa, ainda, que os policiais teriam levado os equipamento do circuito de câmeras, que registrou a ação. Parte da ação dos policiais foi salva no próprio sistema, que foi resgatado pelos familiares da vítima.
“Eles [os policiais] roubaram o circuito interno de TV, mas porque é roubo e eles estavam armados lá. Viram que tinha câmeras de vídeo, tentaram acabar com as provas, esse sistema não chegou na delegacia. Os familiares delas entraram (no sistema) e conseguiram salvar os vídeos”, explicou o advogado.
Colaborou Diana Rodrigues, repórter Rádio Rios FM






