Lauris Rocha e Diana Rodrigues – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Moradores da rua Senador Fábio Lucena, no bairro Mauazinho, zona Leste de Manaus, estão reivindicando uma indenização justa pela remoção das famílias devido ao deslizamento de terra que colocou as residências em área de risco.
A erosão do solo, causada por infiltração de água, começou após alterações na rede de esgoto local, segundo relatam os moradores. O barranco, que cede diariamente, ameaça diretamente as casas de residentes antigos e recentes.
Jomara Vale, de 43 anos, moradora há 35 anos na área, descreve como o ambiente mudou ao longo do tempo. “Quando cheguei aqui, atrás das casas era uma área verde cheia de árvores frutíferas. Agora tudo mudou”, contou ao portal RIOS DE NOTÍCIAS.


Apesar de receberem o auxilio aluguel da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), eles reclamam que o valor é baixo devido o alto custo para conseguirem alugar um imóvel na capital amazonense. Dessa forma, os residentes se sentem desamparados. “Estamos esquecidos. Receber auxílio-aluguel de R$ 600 é insuficiente”, afirmou.
“Os moradores verificam a estrutura das casas todos os dias, e esse buraco é resultado de obra da prefeitura. A água do esgoto vem da avenida Rio Negro, rua Vitória Régia e da própria rua Fábio Lucena”, acrescentou Jomara.
Situação agravante e risco para as famílias
Desde janeiro deste ano, a situação piorou, com árvores caindo e o barranco cedendo cada vez mais, causando rachaduras nas casas próximas à cratera.
Rayssa Almeida, de 20 anos, que cresceu no bairro, expressa a angústia com a remoção da área.


“A Defesa Civil nos retirou para auxílio-aluguel faz quatro meses. Mas quando ligamos, dizem que agora é com a Seminf (Secretaria Municipal de Infraestrutura), que por sua vez transfere a responsabilidade para a Semasc. É um descaso completo.”
Rayssa Almeida, moradora da região
Impacto econômico e a luta pela sobrevivência
Rubiomar Andrade, de 59 anos, comerciante no bairro há 16 anos, relata que as mudanças na rede de esgoto trouxeram grandes problemas para o seu comércio, o que dificulta as vendas e causa preocupações sobre como irá manter o bem-estar de sua família.
“Desviaram o esgoto e ele começou a vazar diretamente no solo, causando o deslizamento da terra. Agora, minha casa treme e está rachada”, contou Rubiomar.

Ele arrisca abrir seu mercadinho uma vez por semana para manter a renda. “Tenho que tentar ganhar o pão de cada dia. Se deixar o mercadinho, a mercadoria estraga e eu perco tudo”, lamentou.
Aos 61 anos, a doméstica Ozanira Silva de Oliveira revive um drama similar ao do incêndio de 2018 no bairro Educandos, onde perdeu tudo. “Minha mãe e eu escapamos com a roupa do corpo. Comprei essa casa aqui por R$ 45 mil há cinco anos. Era tudo bonito. Agora, estou de novo enfrentando o risco de perder tudo”, relatou.


Pedido por providências e apoio da prefeitura
Os moradores pedem que o prefeito David Almeida tome providências. “Espero que ele venha pelo menos ver a situação e nos dê uma indenização justa. Quando acabar o auxílio-aluguel, para onde vamos?”, questionou Rayssa Almeida.
Rubiomar Andrade também reforçou o pedido: “Só queremos que o prefeito venha ver por nós, organizar, porque eles só prometem e não vêm. Alguém precisa vir e fazer algo.”
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para obter informações sobre as medidas a serem tomadas para estas famílias e aguarda retorno. O espaço permanece aberto para atualizações.






