Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Neste 29 de outubro, o Brasil celebra o Dia Nacional do Livro, uma data que remete à fundação da Biblioteca Nacional em 1810, a primeira biblioteca do país e uma das maiores da América Latina. A data é um convite à reflexão sobre o papel da leitura e da escrita na formação cultural da sociedade brasileira.
Para escritores entrevistados pelo riosdenotícias.com, a atual geração de leitores tem acesso a uma variedade sem precedentes de opções de leitura, facilitada pela internet. “Para escrever bem, é essencial ler muito. A habilidade de usar as palavras se desenvolve a partir de uma boa leitura”, afirmam.
Mário Bentes, escritor e editor-chefe da Lendari® Entertainment, observa que, apesar de a média de leitura no Brasil ainda ser baixa, a diversidade de títulos disponíveis no mercado é impressionante. “Hoje, há centenas de milhares de obras à disposição. É crucial estar atento às oportunidades, mas, acima de tudo, é fundamental não ter pressa ou ansiedade para escrever”, ressalta.

Ele acrescenta que, mesmo com o aumento do consumo de outras mídias, como filmes e séries — especialmente aquelas adaptadas de livros —, o interesse pelos livros permanece constante. “Vejo o mesmo interesse médio pelo livro, embora parte do público atual também se volte para essas outras formas de narrativas, como filmes e séries”, comenta Bentes.
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O Portal RIOS DE NOTÍCIAS também conversou com a escritora independente Rebeca Artiagas, que lançou seu primeiro livro, Sobre Despedidas e Sentimentos, em maio de 2023.
Rebecca compartilha sua experiência com uma editora que promove novos autores: “Comprei um livro de uma editora e passei a receber e-mails sobre um projeto que apoia escritores emergentes.”


“Eu sempre escrevi, mas nunca tive a oportunidade de publicar até ser chamada pela editora. Comecei a escrever sobre o momento em que estava vivendo, onde muitas mudanças estavam acontecendo na minha vida.”
Rebeca Artiagas, escritora
A jovem, de 20 anos, afirmou que seu livro está disponível na Amazon e no site da Viseu, destacando a importância não apenas do hábito da leitura, mas também da escrita, mesmo sem a necessidade de grandes investimentos para conseguir emplacar sua história.
‘Sem pressa!’
Mário Bentes destaca aos novos escritores que o mais importante é não ter pressa ou ansiedade. “Vejo jovens autores mais interessados no ato de publicar do que em dominar a prática da escrita“, ressaltou. Ele enfatiza que ler é um hábito, “assim como ver uma série ou filme. É importante estimular sempre a leitura, independentemente da idade.“
Neiza Teixeira, Dra. em Filosofia e coordenadora da editora Valer, diz que a questão central não é apenas o interesse pela leitura, mas a descoberta do valor que os livros oferecem. “Estamos enfrentando a dificuldade de fazer com que as pessoas sintam a necessidade de ler um livro”, disse.

“Para a escrita, o autor é, antes de qualquer coisa, um leitor. Não se pode escrever bons livros se não lemos bons livros”, acrescentou Neiza, que compartilha do mesmo ponto de vista acerca da literatura.
Ela também explica que para publicar um livro, é necessário que o texto original seja aceito para a publicação; que o autor tenha interesse e condições de publicar a obra na editora da sua escolha.
Desafio da leitura no Brasil
Mário Bentes também discute a complexidade do processo de leitura, que varia de pessoa a pessoa. Ele destaca que a história educacional brasileira muitas vezes não favorece o desenvolvimento do gosto pela leitura. “A pressão para ler obras que muitos jovens não se identificam pode desencorajar, resultando em uma geração que cresce sem o hábito de ler”, alerta.
Contudo, Bentes acredita na possibilidade de redescoberta do prazer pela leitura. “Alguns jovens reaprendem a gostar ao encontrar um gênero, autor ou título que os cative. Muitas vezes, isso acontece por curiosidade, após assistirem a um filme ou série baseada em um livro”, conclui.






