Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Terras caídas é um termo utilizado pelas populações ribeirinhas da Amazônia para designar o processo de erosão fluvial. Na última segunda-feira, 7/10, parte do porto da comunidade Terra Preta, no município de Manacapuru (AM), registrou um deslizamento de terra devido a este fenômeno natural responsável pelas transformações na paisagem, e por causar diversos danos socioambientais, além de duas mortes e ao menos 10 feridos.
Uma avaliação pós-desastre está sendo realizada por pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) no Porto de Manacapuru. Com objetivo de identificar possíveis riscos remanescentes na região atingida e determinar as causas exatas do desbarrancamento nas margens do rio Solimões.
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O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com os economistas Juarez Baldoino e Jade Desirée para entender quais são os impactos das ‘terras caídas’ na economia dos municípios do Amazonas.
Para o economista e consultor de empresas especializado na Zona Franca de Manaus, Juarez Baldoino, os deslizamentos de terras têm sido mais graves porque afetam mais pessoas na região amazônica, dado que as orlas dos rios têm sido mais ocupadas por populações crescentes, a cada ano.

“Ao se utilizarem destes espaços para as atividades econômicas e de mobilidade, e sendo estes espaços incorporados ao cotidiano das pessoas e das empresas, sua ruptura brusca causa impacto instantâneo incluindo até mortes, em alguns casos. Além deste movimento natural, há uma parte provocada por inconformidade técnica de engenharia, como parece que foi o caso de Manacapuru, cujo local, em área de terra preta, pode ter sido influenciado por decomposição de material orgânico (por isto Terra Preta) que se mistura ao material mineral do solo, causando enfraquecimento de sua estrutura”, avaliou.
Na análise do economista, este quadro combinado com a ausência de paredão de água pela seca prolongada, que sustenta a encosta quando a pressiona com água alta, pode ter contribuído para o incidente.


“Certamente, além das perdas diretas do local, o deslizamento de terra em Manacapuru trará prejuízos indiretos com indisponibilidade de acesso para cargas e passageiros, atrasos nas entregas e aumento de custo para remanejar transbordos, entre outros. Os laudos periciais que devem estar em andamento nos ajudarão a evitar outras catástrofes”, destacou Baldoino.
Isolamento
A economista Jade Desirée Rodrigues, conselheira do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon), diz que os fenômenos naturais afetam diretamente a vida dos moradores dos municípios amazonenses.

“Esta instabilidade geológica afeta diretamente a economia local e regional, com o isolamento daquela região de Manacapuru e gera uma dificuldade logística no escoamento da produção da agricultura e pecuária, e isso influencia principalmente na vida dos moradores locais com uma certa instabilidade econômica no aumento do desemprego”, aponta Jade.
De acordo com a especialista, quando ocorre o isolamento de uma determinada área, considerando que não é uma situação a ser resolvida a curto prazo, há prejuízos para produtores, fornecedores de serviços e moradores.
“Tem o prejuízo também dos consumidores, dos produtores locais que não conseguem escoar a produção e tendo esse prejuízo financeiro por conta da dificuldade de logística para conseguir fazer com que o produto chegue até o cliente”, finalizou a conselheira do Corecon.






