Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O vício em jogos de azar é tema recorrente de debate tanto entre organizações quanto recentemente no Senado Federal com a aprovação do projeto de lei que legaliza cassinos no país. Mas você sabe como o cérebro humano reage aos estímulos desses jogos e quais os impactos psicológicos envolvidos?
O último levantamento do departamento de psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), aponta que o país tem dois milhões de viciados, quase 1% da população. Ao mesmo tempo, operações policiais investigam grupos criminosos que trabalham na divulgação de jogos de azar nas redes sociais, como o Fortune Tiger, conhecido como ‘jogo do tigrinho’.
A legalização dos jogos de azar envolve considerações complexas que vão além das questões financeiras ou criminais, o fator emocional se soma como principal risco ao cérebro humano, levado à incerteza e projetado para responder positivamente a recompensas imprevisíveis, como aquelas encontradas na dopamina em nosso corpo.
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De acordo com especialistas, o prazer e a recompensa são liberados na corrente sanguínea por meio da sensação de bem-estar. Hábitos persistentes que aceleram a liberação de dopamina tornam-se vícios semelhantes até como a dependência nas drogas. Além disso, vale ressaltar os impactos devastadores em relacionamentos, saúde mental e paralelamente a estabilidade financeira da pessoa.
Gastos em apostas
Ainda assim, é importante salientar o perfil dos jogadores brasileiros em comunidades de jogos de azar, que se mostram até moderados na hora de gastar o próprio dinheiro nas apostas. Isso porque uma pesquisa realizada pela agência de marketing digital Env Media constatou que 67% dos jogadores no Brasil gastam até R$ 50 por mês em jogos online ou offline.
Além desse percentual, mais surpreendente ainda é que 19% dos jogadores gastam menos de R$ 10 por mês. E se considerarmos o montante de remessas feitas por brasileiros em sites de apostas no exterior, ultrapassam os R$ 50 bilhões gastos online em 2023, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
Para o Instituto de Psiquiatria do Paraná, a grande procura pelos jogos eletrônicos atualmente ocorre por meio da disponibilidade deles no dia-a-dia. Isso porque não existiam consoles pessoais antigamente, o que faziam as pessoas se deslocarem até locais específicos para aproveitarem algum game. “Considerando hoje que grande parte das pessoas possuem os dados do cartão de crédito salvos no celular, torna-se muito mais fácil gastar quantias exageradas nesses jogos sem perceber“, acrescenta o artigo.






