Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Durante entrevista ao Jornal da Rios FM, 95,7 nesta quinta-feira, 20/6, o Secretário de Segurança Pública do Amazonas, Coronel Vinícius Almeida, contestou os dados do Atlas da Violência divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
“O Atlas é importante porque ele é um balizador, sim. Mas infelizmente o Atlas é um número de dois anos atrás. E quando é divulgado, é como se fosse hoje. Se você tivesse números bons há dois anos, e agora eu estivesse com números ruins, seria positivo para a gente. Mas se eu estivesse com números ruins, como era o caso, e agora com números bons, gera uma sensação de insegurança na sociedade”, disse o secretário.
Segundo o relatório, o Amazonas sofreu uma elevação de 15% na taxa de homicídios entre 2022 e 2023, passando de 38,5 para 43,5 homicídios por 100 mil habitantes. Esse aumento coloca o estado como o quarto mais violento do país, uma posição que não ocupava desde 2018. A capital, Manaus, é a cidade que concentra a maior parte dos casos, refletindo problemas estruturais e sociais que vão além da questão puramente criminal.
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Almeida explicou que a discrepância entre os dados antigos e a situação atual pode causar uma percepção errônea sobre a segurança no estado. Ele ressaltou que os números de 2022 não refletem os esforços e os resultados alcançados recentemente.
O titular da pasta detalhou os motivos pelos quais os números de 2022, base do Atlas da Violência 2024 foram tão negativos para o estado.
Segurança pública no Amazonas desestruturada em 2022
O secretário destacou que os números desfavoráveis de 2022 eram consequência de uma longa desestruturação do sistema de segurança pública.
“Os números do ano de 2022 não foram favoráveis. Eu explico alguns dos motivos. Nós pegamos um governo com uma total desestruturação do sistema de segurança pública. Como é que a gente prova isso? Por exemplo, basta dizer que nós tínhamos 12 anos sem concurso público. Então desmobilizou totalmente”, afirmou.
Ele mencionou que a falta de concursos públicos por mais de uma década comprometeu seriamente a capacidade operativa das forças de segurança, necessitando de uma reestruturação profunda para melhorar a situação.
“Só para você ter ideia, a Polícia Militar chegou a ter quase 12 mil homens. E hoje nós temos 8.800, em virtude do concurso que foi feito, e os concursados estão em fase de formação. Segurança pública é planejamento de médio e longo prazo”, enfatizou.
Programa Amazônia Mais Seguro reduziu homicídios em 2023
Coronel Almeida apresentou dados que mostram uma redução significativa nos homicídios em 2023.
“Hoje, graças ao programa Amazônia Mais Seguro, implementado após a pandemia, estamos vendo uma redução significativa nos índices de homicídio. De janeiro a maio de 2023, tivemos uma redução de 16,5% nos homicídios na Amazônia e 26,5% em Manaus, em relação ao ano anterior”, destacou o coronel.
O programa Amazônia Mais Seguro foi uma resposta às necessidades emergentes de segurança após a pandemia, focando em uma abordagem integrada e coordenada entre as diferentes forças de segurança.
“Se eu pegar os números atuais e fizer uma projeção até o final do ano, nós vamos concluir esse ano, comparado àquele ano de 2022, como o sexto estado mais seguro do país”, assegurou.
Pandemia impediu concursos e aumentou homicídios
O secretário explicou também que a Pandemia de Covid-19, ocorrida entre 2020 e 2021, quando chegou a vacina, foi um período especialmente difícil para a segurança pública.
“No ano de 2020 e 2021, nós estávamos em plena pandemia. Não tinha como fazer concurso público, os investimentos naquele momento eram todos voltados para a saúde, o nosso desespero era pensar como é que nós poderíamos amanhecer o dia seguinte”, destacou.
Ele lembrou que a crise sanitária redirecionou os recursos e esforços do estado, deixando a segurança pública em segundo plano temporariamente e resultando em um aumento nas taxas de homicídio.
“Foi naquele momento que tivemos uma taxa de homicídio muito grande. Até porque em 2022, nós estávamos, como sociedade, voltando à normalidade e a quantidade de droga que passou pela Amazônia foi muito grande para abastecer os mercados daqui, no sul e sudeste”, relembrou.
Com a retomada dos investimentos em segurança, o secretário assegura que a expectativa é positiva. “Estamos seguindo à risca o que foi planejado há três anos”.
Apoio federal para fechar fronteiras
O secretário ressaltou a necessidade de apoio do governo federal para controlar as fronteiras e combater o tráfico de drogas.
“A gente precisa do apoio do governo federal para que sejam fechadas as fronteiras, que é de responsabilidade deles, através das suas forças, que agem muito bem. O Exército, a Marinha, a Aeronáutica, a Polícia Federal. Porque hoje essa conta chega quase que 100% para o governo do estado pagar”, afirmou.
Operação histórica
Além de discutir os dados do Atlas da Violência, Coronel Almeida destacou uma operação histórica realizada na terça-feira, 19/6, com a apreensão de R$110 milhões em drogas, combustível, armas, e prisão de nove pessoas na Base Fluvial Arpão 1, próxima ao município de Coari, a 363 quilômetros de Manaus.
“Em uma semana, apreendemos 3,5 toneladas de drogas. Já estamos passando de 22 toneladas este ano. Ano passado, apreendemos 26 toneladas, o que já foi um recorde”, relatou.






