Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – “Um professor sem prática não consegue entender os problemas da escola”, a afirmação é do pedagogo e especialista em Gestão Educacional, Willas Dias da Costa, após o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) divulgar o estudo “Carência de professores na educação básica: risco de apagão?” que revelou uma escassez de professores habilitados em todas as regiões do país, especialmente no Norte e Nordeste.
A situação pode piorar ainda mais com a possível implementação da Resolução 4/2024 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que, se aprovada pelo Ministério da Educação (MEC), inviabilizará a oferta de cursos de licenciatura por Educação a Distância (EaD).
Especialistas temem que isso aumente o déficit de professores, já que a formação por EaD representa 93,7% dos ingressantes em cursos de licenciatura no ensino privado e 22,2% no ensino público.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, Willas Dias ressaltou que a formação de professores no Brasil sempre foi uma preocupação.
Ele explica que desde a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em 1996, houve um esforço para elevar o nível de formação dos professores.
“As universidades passaram a transformar os próprios currículos das universidades, sofreram transformações. Os cursos que só tinham ênfase em bacharelado, passaram a trabalhar com a licenciatura e isso provocou uma grande mudança. As prefeituras passaram a correr atrás de convênios para atender a essa situação e qualificar os professores”, afirmou.

Apesar desses esforços, ele pontua que a falta de incentivos e políticas efetivas, combinada com o desinteresse pela profissão, agrava a escassez de professores.
Willas observa que os planos de cargos e salários estão defasados em comparação com outras profissões e isso desmotiva os jovens a seguir a carreira docente, precisando de muitos anos de serviço, o que contribui para o desânimo.
“Para ter um salário digno, o professor demora vários anos da vida dele para alcançar esse objetivo. Pelo menos, uns 15 anos. Ou seja, leva muito tempo. E como o próprio estudo do Inep indica, tempo é uma coisa que não tem acontecido. Para um jovem, é muito mais prático trabalhar em algo que não precisa de tantas horas para exercer a profissão. Com o advento de profissões mais voltadas para um modelo digital, há um desestímulo entre os jovens que queiram ser professores”, lamentou.
A violência nas escolas, segundo ele, é outro fator que afasta novos profissionais. Professores enfrentam agressões de alunos, pais e até ataques políticos. Grupos radicais têm criticado o trabalho docente, criando um ambiente hostil e desmotivador.
“A violência que o professor sofre dentro da escola tem se tornando muito presente. É muito preocupante como essas violências vêm ocupando o universo da escola, e isso também é uma das causas do desinteresse pela profissão. A questão salarial dos professores também considero como uma forma de violência”, disse.
‘Apagão na profissão’
Um ponto que o especialista destacou é que os cursos de licenciatura por EaD podem agravar ainda mais o problema, pois o profissinal estaria munido apenas da teoria. “O crescente incentivo ao EaD pode provocar um apagão na profissão. Muitas vezes, quando o jovem, no início da sua profissão de professor vai para a prática, encontra uma realidade totalmente diferente, ocasionando em um certo desânimo”, revelou.
O especialista enfatiza que a formação de professores depende de ações concretas, como políticas públicas que valorizem a carreira docente, os salários e as condições de trabalho.
Além disso, ele considera essencial que iniciativas governamentais mitiguem a violência aos profissionais dentro das escolas como forma de reverter o atual cenário e apagão na educação, com tanto desestímulo na profissão. Para ele, sem essas mudanças, o futuro da educação básica no Brasil permanecerá em risco e comprometerá a formação das futuras gerações.






