Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Em entrevista ao quadro ‘Eleições na Rios‘, o candidato Wilker Barreto (Mobiliza) apresentou propostas para a educação de Manaus, defendendo a criação de um Fundo Municipal da Educação Infantil e eleições para a escolha de gestores escolares.
Wilker também destacou a reestruturação da Guarda Municipal e a criação de uma secretaria voltada para as pessoas com deficiência, abordando temas de infraestrutura e segurança pública.

Fundo Municipal da Educação Infantil
Uma das propostas centrais do candidato é a criação do Fundo Municipal da Educação Infantil, financiado por uma porcentagem do IPTU e outros impostos municipais. Ele argumentou que Manaus enfrenta um grave déficit na educação infantil, com mais de 150 mil crianças fora de creches e 30 mil sem acesso ao CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil).
Segundo o candidato, a Prefeitura de Manaus arrecada mais de dois bilhões de reais em impostos, e ele propõe destinar 10% dessa receita para o fundo, o que resultaria em um bilhão de reais para a educação infantil ao longo de quatro anos.
“Manaus arrecadou de impostos municipais pouco mais de dois bilhões de reais no ano passado. Vamos mandar uma mensagem para a Câmara, criando o Fundo Municipal da Educação Infantil, garantindo, no orçamento municipal, verba específica para manutenção e ampliação de creches. Dez por cento de dois bilhões dá 200 milhões de reais. Com o crescimento da receita para os próximos quatro anos, bateremos um bilhão. E, com esse dinheiro, nós vamos fazer um divisor de águas em Manaus no que diz respeito à criação e manutenção das unidades”, declarou Wilker Barreto.

O candidato destacou que essa seria uma solução inovadora e que tornaria Manaus a primeira capital do Brasil a garantir recursos específicos para a manutenção e ampliação de creches por meio de uma lei. “Criança fora da creche é um problema social e econômico que precisa ser enfrentado com gestão”, afirmou.
Eleições para diretores de escolas
Outra proposta é implementar um sistema de eleições para a escolha dos diretores escolares, similar ao que ocorre em Santa Catarina. O candidato criticou a interferência política no processo atual, em que vereadores influenciam a indicação de diretores por meio das DDZs (Divisões Distritais de Zona).
“Eu já fui vereador de Manaus três vezes, e os vereadores de Manaus ficam se matando para comandar as DDZs, que são os Distritos de Educação e a Indicação de Diretores. Isso atrapalha os projetos, porque nós temos bons diretores que, por não serem aliados de vereador A ou B, são substituídos”, disse Wilker.
Ele defendeu que a escolha dos gestores seja feita por alunos e professores, baseando-se na meritocracia e na capacidade de cada gestor. “É preciso tirar a interferência política, que muitas vezes mais atrapalha do que ajuda”, acrescentou.
Reestruturação da Guarda Municipal
No campo da segurança pública, o candidato propôs a reestruturação da Guarda Municipal de Manaus, com a ampliação do efetivo e a inclusão de guardas armados para atuar em áreas estratégicas da cidade. Ele enfatizou que, “apesar de não ser uma atribuição legal, o patrulhamento e o policiamento ostensivo chegaram no momento de Manaus contribuir para reduzir a violência”, afirmou Wilker.

“Vamos chamar mil novos guardas municipais em um ano”, e acrescentou que vai colocá-los para atuar “nos principais pontos da cidade, como Ponta Negra, terminais e UBSs”, explicou. Para ele, a segurança pública deve ser pensada como um tripé que envolve geração de emprego, infraestrutura e esporte para os jovens. Ele também criticou a gestão atual pela falta de políticas eficazes para a juventude, que, segundo ele, tem sido alvo do crime organizado.
Criação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência
O candidato defendeu a criação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, argumentando que essa pasta seria fundamental para garantir que as políticas públicas de inclusão fossem aplicadas de maneira transversal em todas as áreas do governo. Ele mencionou a importância de garantir mediadores nas escolas para crianças com autismo e criticou a falta de recursos e infraestrutura adequados para pessoas com deficiência.
“Fazer políticas públicas é garantir que o dinheiro vá na direção correta. Com uma secretaria própria, poderemos dar mais visibilidade e prioridade a esse tema”, afirmou.
Distritos de obras nos bairros
Em relação à infraestrutura, o candidato propôs a reativação dos distritos de obras nos bairros, que ele descreveu como “mini-prefeituras” responsáveis por fiscalizar e executar obras de asfalto, cimento e meio-fio nas comunidades.

Ele criticou a falta de controle sobre os materiais usados em obras públicas: “Hoje está a casa da mãe Joana, ninguém sabe o que entra e o que sai”, e prometeu uma gestão mais eficiente e transparente. “No meu governo, o asfalto que entrou vai sair, e o cimento que foi comprado vai para a ponta”, declarou.
Críticas à gestão atual
O candidato também não poupou críticas à administração atual, acusando o prefeito de ser “gastador” e de priorizar projetos de marketing em vez de investir em áreas essenciais, como saúde e educação. Ele comparou sua experiência na presidência da Câmara Municipal de Manaus, onde, segundo ele, implementou uma série de melhorias e economias, com a gestão do atual prefeito, que ele considera ineficaz.
Por fim, ele fez um apelo aos eleitores para que escolham um gestor competente para liderar a cidade. “Manaus precisa de um gestor, não de um gastador. Estamos há quatro anos perdidos, e é hora de mudar essa realidade com coragem e competência”, concluiu.






