Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O viúvo da biomédica Giovana Ribeiro, João Vitor, fez um pronunciamento emocionado nessa terça-feira, 12/8, durante sessão plenária na Câmara Municipal de Manaus (CMM), sobre o acidente de trânsito que matou sua esposa, grávida de oito meses. A fala ocorreu uma semana após ele ter sido impedido de se manifestar na Casa Legislativa.
Segundo João Vitor, alguns vereadores desrespeitaram a população ao ignorar sua dor e o conceito de que a Câmara é a “casa do povo”, a mando do prefeito David Almeida (Avante).
“Eu vi a minha família sendo humilhada, enquanto alguns vereadores se comportavam como ratos”, declarou.
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Debate e embate
Em resposta, o vereador Eduardo Alfaia (Avante) reagiu à declaração e interrompeu o pronunciamento de João Vitor:
“Eu não posso compactuar com uma infração regimental. Com todo respeito à sua fala e à sua dor, o senhor não tem o direito de vir a esta Casa e chamar os vereadores de ratos”, disse Alfaia.
O vereador Coronel Rosses (PL), que havia cedido tempo de fala a João Vitor, defendeu seu direito à manifestação e confrontou Alfaia:
“Senhor presidente, assim que a fala for voltada para mim, quero continuar com meu tempo regimental”, declarou Rosses, durante o momento de tensão.
Críticas à condução da sessão
O vereador Gilmar Nascimento (Avante), da base aliada do prefeito, criticou a decisão de Rosses de permitir a fala de João Vitor na tribuna sem, segundo ele, comunicar previamente os demais parlamentares.
“Senhor presidente, o Rosses não pode fazer o que quer nesta Casa. Existe um regimento. Ele não pode trazer alguém aqui para falar sem seguir os trâmites”, declarou Gilmar.
Em resposta, Coronel Rosses se manifestou nas redes sociais afirmando que é hora de a Prefeitura ser cobrada, para que novas tragédias não ocorram. “João Vitor perdeu a esposa grávida e a filha por causa de um buraco, reflexo da omissão de quem deveria representar o povo”, afirmou.
Silenciado anteriormente
Na última quarta-feira, 6, João Vitor foi impedido de falar na CMM, mesmo com o tempo de tribuna cedido por Coronel Rosses. A base governista encerrrou a sessão por volta das 11h45, alegando “horário avançado”, e o microfone de João Vitor sequer foi ligado.
A situação gerou forte repercussão nas redes sociais, com indignação de internautas e populares. Na ocasião, João Vitor relatou ter se sentido humilhado:
“Eles simplesmente apagaram as luzes do plenário e, como ratos, saíram pelos fundos, deixando a gente em prantos. Isso é um escárnio com a população”, desabafou.






