Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Vítima de importunação sexual em um supermercado de Manaus, a professora Débora Moura, de 36 anos, comentou pela primeira vez sobre a situação em que foi apalpada e ofendida com palavrões no último domingo, 21/4. O caso aconteceu no bairro Parque Dez de Novembro, zona Centro-Sul.
“A gente vive em uma estrutura onde as pessoas são acostumadas a proteger o abusador, então é preciso ter muita coragem, é preciso a gente visitar lugares que nos incomodam internamente, até porque a gente vive em uma sociedade que desvalida o discurso da vítima e valida o discurso do abusador.”
Disse Débora Moura
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Imagens das câmeras de vigilância do estabelecimento flagraram o momento em que um homem identificado como Antônio Ednelson Lopes, funcionário do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra), passa pela fila de um caixa e apalpa três mulheres. Na ocasião, Débora chega a empurrar o homem. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Débora detalhou o que sentiu com o ocorrido.
“No momento que eu fui abusada, eu fui chamada de gorda, de feia, de tribufu, e isso me tocou muito porque eu fui violentada duas vezes. Eu fui violentada pelo fato de ele ter tocado o meu corpo e fui violentada porque no momento que ele tocou no meu corpo eu reagi. E por eu ter reagido, por eu ter exposto naquele momento, ter gritado por socorro, ele usou desse discurso de tentar desvalidar o meu questionamento naquele momento”, contou a vítima
Um boletim de ocorrência foi registrado e a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) investiga o caso. No vídeo, a professora conta que encontrou acolhimento na Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), que realiza atendimento psicossocial e jurídico com psicólogas, assistentes sociais e advogadas.
“Ainda estou processando tudo que aconteceu, mas graças a Deus encontrei acolhimento na Procuradoria e isso está me deixando extremamente confortável para vir a público e falar”, concluiu Débora Moura.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Superintendência do Incra no Amazonas, a qual respondeu que o servidor não estava nas dependências do órgão, no entanto repudia qualquer discriminação, assédio moral e sexual ou intolerância.
“Acompanhando as diretrizes governamentais, são promovidas campanhas internas de combate e denúncia de assédio moral e sexual junto aos servidores e colaboradores. O Incra no Amazonas acompanha as investigações envolvendo o servidor e adotará as medidas administrativas cabíveis.”






