Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Dados de janeiro a março de 2026 apontam um aumento de 31% nas mortes no trânsito de Manaus, em comparação com o mesmo período de 2025. O levantamento, realizado pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) em conjunto com o especialista em trânsito Manoel Paiva, revela um cenário de agravamento da violência viária na capital.
Ao todo, 67 pessoas morreram no trânsito nos três primeiros meses deste ano, contra 51 vítimas no mesmo intervalo do ano passado. Somente em março, foram registradas 25 mortes, número 19% superior ao de fevereiro.
Os motociclistas seguem como as principais vítimas. Entre janeiro e março, 34 condutores de motocicletas perderam a vida, o que representa 51% do total de mortes e um aumento de 36% em relação a 2025. Os pedestres também figuram entre os mais vulneráveis, com 18 vítimas fatais no período, equivalente a 27% do total.


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Vias mais perigosas
O levantamento também identificou as dez vias com maior número de ocorrências fatais no trânsito de Manaus, considerando dados acumulados:
- Rodovia Torquato Tapajós – 33 vítimas fatais (5)
- Rodoanel Metropolitano – 31 vítimas (0)
- Avenida Autaz Mirim – 25 vítimas (2)
- Alameda Cosme Ferreira – 24 vítimas (2)
- Avenida Governador José Lindoso – 24 vítimas (2)
- Avenida General Rodrigo Otávio – 18 vítimas (1)
- Avenida Noel Nutels – 15 mortes (0)
- Avenida Brasil – 14 vítimas (4)
- Avenida Coronel Jorge Teixeira – 13 óbitos (1)
- Avenida Max Teixeira – 8 óbitos (1)
Distribuição por zonas
A zona Leste lidera o número de vítimas fatais, com 20 mortes, o equivalente a 31% do total. Já as zonas Norte e Centro-Sul concentram 46% dos registros, somando 30 óbitos. com vítimas fatias e correspondem a 30 pessoas que foram a óbito.
Mobilidade urbana
Segundo o especialista Manoel Paiva, o aumento da frota de veículos tem impacto direto na piora das condições de trânsito.
“Houve um crescimento de cerca de 5,2% na frota total. Isso reforça a preocupação com a piora da mobilidade urbana, com mais congestionamentos, mais acidentes e maior pressão sobre o sistema de saúde”, afirmou.

(Foto: Arquivo – Rios de Notícias / João Dejacy)
Paiva destaca que 93% das vias são ocupadas por veículos de uso individual, o que evidencia a necessidade de priorizar o transporte público.
“É fundamental investir em faixas exclusivas para ônibus, melhorando a velocidade operacional, a frequência das viagens e reduzindo o tempo de espera e deslocamento dos usuários”, disse.
Integração e infraestrutura
O especialista também defende a integração entre diferentes modais, como deslocamentos a pé e por bicicleta, além da melhoria da infraestrutura urbana.
“Precisamos de calçadas adequadas, ciclovias seguras e integração cicloviária, oferecendo uma alternativa sustentável e segura”, ressaltou.
Ele ainda enfatiza a importância de melhorar a estrutura dos pontos de ônibus, com cobertura, assentos, iluminação e informações adequadas aos usuários.
Outro ponto destacado é o papel do transporte alternativo, como vans e micro-ônibus, especialmente nas áreas periféricas.
“Esses modais oferecem maior flexibilidade e acesso a regiões onde o transporte convencional não chega, sendo uma solução importante para muitas pessoas”, explicou.
Por fim, Paiva defende a regulamentação desse sistema. “É necessário incentivar e regulamentar o transporte alternativo, garantindo mais conforto e segurança à população, além de reduzir a dependência da motocicleta, que lidera os índices de acidentes fatais na cidade”, concluiu.






