Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Amazonas registrou 35.037 ocorrências de violência doméstica contra mulheres em 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). Entre os municípios, Manaus lidera o ranking, com mais de 22 mil registros.
De acordo com o painel de monitoramento da SSP-AM, os meses com maior número de ocorrências no estado foram setembro, com 3.847 registros, seguido de outubro (3.777), junho (3.741) e julho e agosto, ambos com 3.701 casos.

Já na capital amazonense, os meses com mais notificações foram maio, com 2.617 ocorrências, junho (2.604), março (2.571), setembro (2.500) e julho e agosto, ambos com 2.474 registros.
Ranking por município
Após Manaus, os municípios com maior número de casos registrados foram: Itacoatiara, com 280 ocorrências; Manacapuru (251); Iranduba (97); Humaitá (77); Carauari (76); Benjamin Constant e Coari, ambos com 60; Barreirinha (53) e Novo Airão (49 registros).
Entre os crimes mais frequentes estão ameaça, injúria, lesão corporal, perseguição (stalking), vias de fato, descumprimento de medidas protetivas, difamação, dano e furto.
Sinais iniciais de violência
A advogada especialista em Direito de Família, Lady Milena Lima, que atua na defesa de mulheres em situação de violência doméstica, explica que a violência raramente começa com agressões físicas e alerta para os sinais iniciais.
“Ela costuma se manifestar primeiro por meio de controle, humilhações, ameaças veladas, isolamento social, vigilância constante, desvalorização emocional e manipulação psicológica. Sinais comuns incluem medo de contrariar o parceiro, sensação constante de culpa, perda de autonomia, ansiedade, queda da autoestima e afastamento de familiares e amigos. Quando uma mulher passa a se anular para evitar conflitos, isso já é um forte indicativo de violência”, afirmou a advogada.

Lady Milena ressalta que muitas mulheres demoram a perceber que estão sendo vítimas de violência. Para romper esse ciclo, segundo ela, é fundamental compreender que essas situações não são normais e que uma rede de apoio pode fazer toda a diferença.
“Fomos ensinadas a suportar relações a qualquer custo, muitas vezes confundindo isso com amor. Medo, dependência emocional e financeira e vergonha fazem com que muitas mulheres permaneçam em situações de violência. Romper esse ciclo começa com informação, acolhimento e escuta sem julgamento”, destacou.
A delegada Patrícia Leão, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), afirma que a dependência econômica, reforçada por estruturas machistas e patriarcais, é um dos principais fatores que mantêm mulheres em relacionamentos abusivos e contribuem para o aumento dos casos de violência e feminicídio no Amazonas.
“Na maioria dos casos, a dependência econômica, reforçada pelo machismo, impede que a mulher rompa o ciclo de violência. O medo de perder o sustento dos filhos e a dificuldade em se reconhecer como vítima fazem com que muitas demorem a buscar ajuda”, afirma a delegada.

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Proteção legal às mulheres
A advogada destaca que leis como a Lei Maria da Penha representam um marco na garantia dos direitos das mulheres, oferecendo mecanismos legais capazes de salvar vidas.
“Os principais amparos são as medidas protetivas de urgência, que podem ser concedidas rapidamente e determinam, por exemplo, o afastamento imediato do agressor, a proibição de contato por qualquer meio, a restrição de aproximação e a proteção do patrimônio da mulher. Essas medidas existem para interromper o ciclo da violência e preservar a vida”, explicou.
“Nenhuma mulher precisa ser forte o tempo todo, nem carregar a dor sozinha. A lei existe para protegê-la, e buscar ajuda é o primeiro passo para reconstruir uma vida com dignidade, segurança e paz”, concluiu.






