Júlio Gadelha – Rios de Notícias
Manaus (AM) – João Vitor, marido da biomédica Giovana, morta em junho após cair em um buraco na avenida Djalma Batista, tentou usar a tribuna da Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta quarta-feira, 6/8, para pedir apoios às investigações do programa Asfalta Manaus, mas foi impedido por uma manobra dos vereadores, que encerraram a sessão plenária antes de sua fala.
O episódio ocorre em meio às movimentações para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Asfalto na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A CPI busca investigar o destino de R$ 181 milhões repassados pelo governo do Estado à Prefeitura de Manaus para o programa Asfalta Manaus, que prometia pavimentar 10 mil ruas.
Tragédia que mobilizou a opinião pública
Giovana, grávida de sete meses, morreu após ser arremessada de uma motocicleta em que estava com o marido. O veículo caiu em um buraco, e nem ela nem o bebê resistiram aos ferimentos. João Vitor sofreu fraturas nas pernas e foi socorrido por paramédicos.
Desde então, ele tem buscado apoio para cobrar investigações sobre a má qualidade do asfaltamento na cidade. A intenção era que o vereador Coronel Rosses (PL) cedesse quatro minutos do seu tempo regimental para que ele pudesse se pronunciar.
A manobra no plenário
Conforme o regimento interno, as sessões da CMM devem ser concluídas ao meio-dia, com possibilidade de prorrogação de até uma hora mediante aprovação do plenário. Por volta das 11h45, vereadores da base governista iniciaram articulação para encerrar a sessão, alegando o avançado da hora.
Em votação, a maioria rejeitou a prorrogação, o que encerrou a sessão sem que João Vitor fosse ouvido.
Repercussão
Em entrevista a imprensa, o viúvo lamentou a decisão. “Aumenta ainda mais a minha dor quando venho aqui e acho que a população é recebida por esta Casa, que deveria abrir um espaço para ouvir a gente. Estamos morrendo lá no asfalto e ninguém faz nada”, declarou.
Parlamentares da oposição criticaram a manobra.
“Ele [João Vitor] vem aqui expor sua emoção e sua revolta, e foi calado. Calaram o João, calaram a Giovana e calaram a sua filha. Isso é um absurdo. O que querem esconder? Cadê a CPI do Asfalta Manaus?”, disse Capitão Carpê (PL).
“Essa família foi totalmente destruída pelo descaso do prefeito e de todos que contribuem para que Manaus seja um canteiro de buracos que mata pessoas todos os dias. É vergonhoso desligarem as luzes antes do horário e mandarem a gente ir embora, numa votação medíocre”, declarou Coronel Rosses (PL).






