Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Vereadores da oposição se pronunciaram sobre as investigações da Operação Erga Omnes e direcionaram críticas à gestão do prefeito David Almeida (Avante), na manhã desta terça-feira, 24/2, durante sessão plenária na Câmara Municipal de Manaus (CMM).
A operação, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), envolve a investigadora Anabela Cardoso de Freitas, que atuava na Prefeitura de Manaus e integrava a Comissão de Licitação do município. Até 2023, ela exerceu o cargo de chefe de gabinete de David Almeida.
Participaram do debate os vereadores Coronel Rosses (PL), Sargento Salazar (PL), Capitão Carpê (PL), Rodrigo Guedes (PP), José Ricardo (PT) e Amauri Gomes (União Brasil). Pela base aliada, o vereador Eduardo Alfaia (Avante) saiu em defesa do prefeito.
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Críticas e pedidos
Durante a sessão, o vereador Coronel Rosses afirmou que os fatos estariam relacionados a episódios anteriores, como a viagem do prefeito ao Caribe no ano passado. O parlamentar informou que protocolou pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e de impeachment, alegando quebra de decoro e falhas na fiscalização da gestão municipal.
“Nós protocolamos esse pedido de impeachment por questões óbvias. Quebra do decoro e no mínimo uma falta de fiscalização por parte do prefeito em relação aos seus secretários, a sua chefe de gabinete e diretora da comissão de licitação”, afirma.
Rosses também pediu respeito entre os parlamentares e destacou que o papel da Câmara é fiscalizar os atos do Executivo.
O vereador Rodrigo Guedes criticou declarações feitas por David Almeida em coletiva de imprensa realizada na segunda-feira, 23, quando o prefeito comentou a operação. Segundo Guedes, o chefe do Executivo municipal teria atacado instituições ao questionar a investigação.
“Ou ele prova e mostra que existe um sistema todo corrompido contra ele, envolvendo escrivães, delegados, investigadores, juiz e promotor ou ele precisa ser judicialmente responsabilizado”, afirmou.
Questionamentos
O vereador José Ricardo questionou declarações do prefeito de que teria conhecimento prévio sobre uma possível operação policial. “Se ele já sabia que haveria uma operação com motivação política, por que não denunciou isso à sociedade na época?”, indagou.
Para o parlamentar, a coletiva de imprensa representaria uma estratégia de contra-ataque para desviar o foco das denúncias relacionadas à operação.
Amauri Gomes também criticou as declarações do prefeito e defendeu o trabalho da Polícia Civil do Amazonas, destacando a importância das instituições no combate ao crime.
“A Polícia Civil tem feito diariamente um trabalho brilhante na condução de investigações, levando criminosos, inclusive, concluindo com êxito, a prisão de pessoas ligadas ao poder público que estariam ali com suspeitas de práticas ilícitas dentro da Prefeitura de Manaus”, aponta.
Ataques pessoais
O vereador Sargento Salazar afirmou que tem sido alvo de ofensas por parte de aliados do prefeito ao questionar a gestão municipal. Já o vereador Capitão Carpê declarou que, como policial militar, se sentiu ofendido por críticas direcionadas às forças de segurança, e ressaltou que cabe às autoridades competentes apurar os fatos.
“O prefeito pode me chamar de maconheiro? O irmão do prefeito pode me chamar de bandido, de faccionado? Um coronel, amigo dele, pode gravar vídeo me chamando de bandido?”, questionou na tribuna.
Base aliada pede cautela
Em resposta, o vereador Eduardo Alfaia pediu serenidade no debate e cautela nas acusações públicas. Ele afirmou respeitar o direito de crítica, mas destacou que informações relacionadas à investigação estariam sob sigilo e que não haveria confirmação oficial sobre eventual envolvimento em crimes.
“Eu gostaria de saber como tem acesso a essas informações, porque, até onde sei, o processo estaria sob sigilo. Não há, que me conste, qualquer confirmação de envolvimento”, declarou.
A Operação Erga Omnes segue sob investigação da Polícia Civil do Amazonas.






