Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O vereador Coronel Rosses (PL) voltou a criticar os gastos da Prefeitura de Manaus com o evento Sou Manaus Passo a Paço 2025 durante discurso realizado nesta segunda-feira, 13/10, na tribuna da Câmara Municipal de Manaus (CMM).
O parlamentar afirmou que o prefeito David Almeida (Avante) tem utilizado recursos públicos de forma irregular e sem transparência, citando que documentos apresentados pela gestão municipal à Justiça seriam “incompletos, confusos e repetidos”.
Descumprimento de decisão judicial
Rosses afirmou que a prefeitura descumpriu prazos e decisões judiciais relacionadas à ação popular que ele próprio ingressou para apurar os gastos com o evento.
“O prefeito, mais uma vez, descumpriu uma decisão da Justiça. Quando ele consegue fugir, ele foge; quando não consegue, descaradamente, descumpre e fica por isso mesmo”, declarou.
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Segundo o vereador, a documentação apresentada pela gestão contém notas fiscais de 2022 utilizadas novamente em 2023 e 2024, além de contratos repetidos com as mesmas empresas, sem nova licitação.
“Isso, para mim, é crime. Contratos com os mesmos objetos, ano após ano, e sem processo licitatório. É uma afronta à população”, disse.
Rosses também questionou a ausência de comprovantes de pagamento de cachês de artistas que se apresentaram no evento.
“Nenhum registro foi apresentado. Não sabemos quanto a Ludmilla embolsou para vir aqui aliciar nossas crianças”, afirmou.
De acordo com os dados citados por ele, o custo do evento foi de R$ 10 milhões em 2022, R$ 12,5 milhões em 2023 e R$ 12 milhões em 2024, além de patrocínios adicionais de até R$ 1,7 milhão por edição.
Somando os três primeiros anos, o vereador estima que os gastos chegaram a R$ 35 milhões, sem comprovação efetiva da execução dos serviços.
Tabelas de gastos do Sou Manaus:
Manauscult admite dados incompletos
Em 2025, o valor do festival chegou a R$ 34 milhões, confirmados pelo próprio prefeito na semana seguinte à realização do evento — cerca de R$ 25 milhões custeados pela Prefeitura e R$ 9 milhões em patrocínios de empresas.
Porém, em documento entregue pela própria Fundação Municipal de Cultura e Artes (Manauscult), a autarquia afirma que os dados dessa edição ainda estão incompletos. “Dada a natureza e a complexidade dos procedimentos administrativos, muitas despesas referentes ao evento ainda não foram integralmente liquidadas”, diz a secretaria no documento.

A única informação disponível de gastos realizados em 2025 foi referente ao aluguel de banheiros químicos, fato destacado pelo vereador.
“Neste ano, a farra foi muito maior, R$ 34 milhões. E o único documento apresentado foi referente a banheiros químicos, de R$ 476 mil”, ironizou.

O parlamentar também citou que as mesmas empresas — Barra Som, Ecoarte, Angelus e MF Produções — concentrariam cerca de 90% dos valores pagos pela Prefeitura de Manaus nas últimas edições do Sou Manaus. “Não há certame, não há licitação. É sempre o mesmo grupo beneficiado”, completou.
Durante o discurso, Rosses afirmou que irá protocolar ainda nesta segunda-feira um novo pedido à Justiça, solicitando a suspensão imediata dos pagamentos referentes ao evento, além da aplicação de multa diária de R$ 50 mil ao prefeito em caso de descumprimento — o que já estava previsto na decisão judicial que deu prazo de 15 dias para que a prefeitura prestasse as informações sobre os gastos do festival.
O Rios de Notícias entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para solicitar um posicionamento sobre as declarações do vereador Coronel Rosses e os gastos com o evento Sou Manaus, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.






