Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O verão amazônico tem causado dias de calor intenso para a capital amazonense nos últimos meses. Ao mesmo tempo, há uma percepção crescente entre a população manauara de que “tem chovido mais” neste período, com temporais semanais e chuvas diárias em algumas áreas da cidade, como a que alagou parte da cidade neste domingo, 5/10.
Em entrevista exclusiva ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o gerente de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil (SGB) no Amazonas, André Martinelli, afirmou que essa percepção não corresponde aos dados registrados pelas estações de monitoramento, no comparativo com a média histórica.
“Em setembro, o índice de precipitação ficou na ordem de 100 milímetros, enquanto a média é de cerca de 150 a 160 milímetros. Ou seja, mais ou menos dois terços do que deveria ter chovido. Mas a gente vem de dois anos consecutivos de seca extrema. E aí aquela percepção mais recente é de que está chovendo mais”, explicou Martinelli.

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Chuvas no Interior
De acordo com o gerente do SGB, o comportamento das chuvas na Amazônia varia amplamente conforme a região analisada. Enquanto São Gabriel da Cachoeira registrou acumulado negativo de precipitação nos últimos 30 dias, Tabatinga, na fronteira com o Peru, teve volume acima do esperado.
“A bacia amazônica tem dimensão continental. Por isso, as condições mudam muito de ponto para ponto”, pontuou ele ao reforçar que em Manaus, a tendência é de mais chuvas com possível aumento gradual entre o fim de outubro e o início de novembro, período que marca a transição para o “inverno amazônico”.

Martinelli também alertou para a intensificação dos eventos climáticos extremos observados nas últimas décadas. Em 2021, o Rio Negro registrou sua maior cheia da história, enquanto que em 2024 surgiu a sua maior seca já registrada. Nos anos compreendidos neste período, também houveram grandes secas e cheias.
“Temos visto uma frequência cada vez maior de grandes cheias e secas históricas. De 2009 para 2021, superamos os recordes anteriores várias vezes, tanto de cheia quanto de vazante. A gente está entrando no que a gente chama aqui, entre os cientistas, de ‘o novo normal”, explicou o cientista.

Segundo ele, essa recorrência caracteriza o resultado da atuação combinada de fenômenos climáticos globais como El Niño e La Niña e das mudanças estruturais no regime hidrológico da Amazônia. “Precisamos compreender e agir de forma científica para minimizar os prejuízos e nos adaptar a esse novo cenário”, concluiu.
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