Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) conquistou o Prêmio Euro Inovação na Saúde, destacando-se entre 11 estudos finalistas com sua pesquisa da vacina Calixcoca para o tratamento da dependência em cocaína e crack.
A Calixcoca ativa o sistema imunológico para produzir anticorpos que se ligam à cocaína na corrente sanguínea.
Transforma-se em uma molécula grande que não pode atravessar a barreira hematoencefálica, uma estrutura que regula o transporte de substâncias entre o sangue e o sistema nervoso central.
O prêmio, que reconhece inovações na área médica, concedeu à equipe da UFMG um montante de 500 mil euros, equivalente a R$ 2,6 milhões. Além disso, a vacina SpiN-Tec, desenvolvida pela mesma universidade contra a Covid-19, recebeu um prêmio de 50 mil euros na categoria “inovação em terapias.”

Testes
Testes realizados em ratas grávidas mostraram que a vacina produz níveis significativos de anticorpos e impede a ação da droga na placenta e no feto.
O projeto já passou pelos testes pré-clínicos, que comprovaram a segurança e eficácia da vacina, bem como na prevenção de consequências obstétricas e fetais. Com o financiamento adequado, a pesquisa pode progredir para a fase de testes em seres humanos.
“Sabemos como é difícil ter uma pessoa dependente em casa, como é sofrido para um acometido pela dependência ter que lidar com a ambivalência de usar ou não droga e como é ainda mais difícil para uma gestante”
Frederico Garcia, coordenador da pesquisa na UFMG.
Investimento
O desenvolvimento da Calixcoca tem sido financiado pelo governo federal e de Minas Gerais, com recursos provenientes de emendas parlamentares. Para dar continuidade ao projeto, novos financiamentos são necessários.
Em julho, o Secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, anunciou um aporte de R$ 10 milhões ao projeto deste ano durante uma visita da ministra Nísia Trindade à UFMG. No entanto, a busca por novos parceiros para licenciar a vacina continua e é conduzida pela Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da Universidade.
No fim de agosto, a reitora Sandra Regina Goulart Almeida e o professor Frederico Garcia apresentaram o projeto da vacina ao ministro da Educação (MEC), Camilo Santana, e solicitaram apoio governamental para dar prosseguimento aos testes.
Em outra frente, a CTIT empreendeu um trabalho estratégico de proteção nacional e internacional da tecnologia e busca agora parceiros para licenciá-la.
Até agora, não existem tratamentos registrados em agências reguladoras para a dependência química em cocaína e crack, sendo as alternativas limitadas a tratamentos comportamentais ou medicamentos que ajudam a lidar com a abstinência.
A cerimônia de entrega do prêmio ocorreu na noite da última quarta-feira, 18/10, em São Paulo, em premiação organizada pela multinacional farmacêutica Eurofarma.






