Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O uso de drogas pode ter sido o principal fator que levou o adolescente de 17 anos a assassinar brutalmente os irmãos — duas crianças indígenas — em uma comunidade rural de Barreirinha, no interior do Amazonas.
A informação foi confirmada pelo subcomandante-geral da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), coronel Thiago Balbi, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 13/10.
“É por isso que é importante que o sistema de segurança continue nesse enfrentamento contra as drogas. Elas ceifam famílias e isso está presente nas comunidades ribeirinhas e indígenas, com atos criminosos e bárbaros que chocam a todos nós”, declarou o policial durante coletiva de imprensa realizada na sede da Polícia Civil do Amazonas.
Ainda segundo o PM, o adolescente foi apreendido após ser capturado por moradores da comunidade Tabatinga, na zona rural de Barreirinha, onde vivia com a família. A Polícia Civil foi acionada pela 42ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) na última quinta-feira, 9, e com apoio da Polícia Militar, conseguiu retirar o menor da região para evitar que ele fosse linchado.
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O adolescente foi levado para Parintins, onde o caso foi formalizado, e depois transferido para Manaus por questões de segurança. “Ele foi retirado de Barreirinha em razão da fúria da população”, disse o coronel.
Crime e investigações
Segundo o delegado Elton Vieira, responsável pela condução da ocorrência, as equipes encontraram os corpos das crianças mutilados dentro da residência da família. Nas proximidades, também foi encontrado um cachorro morto e parcialmente enterrado, que teria sido morto pelo próprio adolescente, conforme relato da mãe.
Durante as buscas, a polícia apreendeu a arma branca usada nos assassinatos e uma enxada que teria sido utilizada para cavar as covas onde o animal e as vítimas seriam enterrados. Vieira relatou que havia uma cova aberta compatível com o tamanho das crianças, o que indica premeditação.
“Os corpos estavam mutilados e todos os vestígios foram recolhidos e encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Parintins. O adolescente permaneceu em silêncio durante o depoimento, mesmo acompanhado da Defensoria Pública”, afirmou o delegado.
A mãe das crianças relatou que havia saído pela manhã e retornado por volta de meio-dia, quando encontrou as vítimas mortas e o filho ainda na residência. O pai do adolescente, segundo a polícia, foi assassinado em 2024, e a morte ainda está sob investigação.
O coronel Thiago Balbi, que coordenou a ação de retirada do adolescente da comunidade, explicou que a operação contou com o suporte do Ministério Público, Poder Judiciário, Prefeitura de Barreirinha, Polícia Federal, Secretaria de Segurança Pública e da Funai, que auxiliou no acolhimento e na logística.






