Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Nesta sexta-feira, 20/2, completa uma semana do naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, tragédia que deixou três mortos, cinco pessoas desaparecidas e 71 sobreviventes.
Na tarde dessa última quinta-feira, 19, familiares das vítimas se reuniram no Porto de Manaus para cobrar mais celeridade nas buscas. O grupo pede que a embarcação seja içada o quanto antes, com autorização de órgãos como o Corpo de Bombeiros e a Marinha, a fim de verificar se há corpos presos à estrutura.
De acordo com os familiares, uma empresa privada já se dispôs a realizar o içamento e afirma ter localizado o ponto exato onde a lancha está submersa, na região do Encontro das Águas. No entanto, a operação ainda depende de aval oficial.
“O que estamos reivindicando é a autorização para que essa empresa faça o içamento. Eles já identificaram o local da lancha, mas precisam da liberação do Corpo de Bombeiros. Queremos uma parceria entre os Bombeiros, a Marinha e a empresa. A principal reivindicação é que isso seja alinhado”, afirmou Jorge Noronha, marido da advogada Ana Carla Izel de Freitas Araújo, que segue desaparecida.

Buscas custeadas pelas famílias
Durante o ato, parentes relataram que têm financiado as buscas por conta própria. Amigos e conhecidos têm contribuído com combustível e alimentação para manter as equipes no rio.
“Estamos tirando do próprio bolso para fazer as buscas. Graças a Deus e aos amigos, temos recebido ajuda com combustível e alimentação, porque é muito desgastante. Passamos mais de 12 horas no rio. Saímos às 5h30, antes do sol nascer, e voltamos por volta das 19h”, contou Jorge Noronha, de 58 anos.

Ele também contestou declarações da empresa responsável pela lancha sobre suposto apoio às famílias.
“Até agora não recebi nenhuma ligação. O que estão dizendo, que a empresa procurou os familiares e está dando assistência, não é verdade. Eu não recebi uma ligação sequer. Conseguimos uma lancha com ajuda de amigos e familiares e abastecemos todos os dias. O consumo é alto, porque vamos longe e ainda precisamos voltar”, afirmou.
Justiça e revolta
Os familiares também cobram providências judiciais. O comandante da embarcação foi preso no dia do acidente e levado ao 1º Distrito Integrado de Polícia, mas foi liberado após pagamento de fiança. Posteriormente, teve a prisão preventiva decretada, porém ainda não foi localizado.

“O comandante fez o que fez, foi preso, pagou fiança e saiu. Depois emitiram mandado de prisão e ele fugiu. Cadê a Justiça?”, questionou o esposo da advogada.
Vítimas confirmadas
Até o momento, três mortes foram confirmadas, com identificação dos corpos no Instituto Médico Legal (IML):
• O músico gospel Fernando Grandêz, de 39 anos;
• Sâmila Souza Vieira, de 3 anos;
• Lara Bianca, de 22 anos.
Enquanto as buscas continuam, familiares seguem mobilizados e pedem respostas das autoridades sobre a tragédia.






