Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A morte do menino Benício Xavier Freitas, de 6 anos, completa um mês nesta terça-feira, 23/12. O garoto sofreu seis paradas cardíacas após a aplicação equivocada de adrenalina por via intravenosa no Hospital Santa Júlia, em Manaus. A investigação do caso segue em andamento, e até o momento nenhum suspeito foi preso.
Para marcar o 30º dia do falecimento, familiares e amigos realizam nesta terça-feira, às 18h, uma missa em homenagem ao menino, no Colégio Santa Doroteia, localizado na avenida Joaquim Nabuco, Centro de Manaus.
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Os pais do menino seguem cobrando justiça e utilizando campanhas nas redes sociais e atos públicos para manter o caso em evidência. Em 13 de dezembro, realizaram uma manifestação em frente ao Hospital Santa Júlia, pedindo a prisão dos envolvidos e responsabilização de todos os profissionais que atuaram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) durante o atendimento.
“Queremos que o fogo não se apague. Que o nosso grito nunca se cale em prol do nome do Benício. O que aconteceu com nosso filho foi muito grave”, afirmou Bruno Freitas, pai de Benício.
Já a mãe do menino, Joyce Xavier, declarou considerar ‘inacreditável’ a decisão que manteve as suspeitas em liberdade e ressaltou: “Aguardamos que a justiça seja feita. O que aconteceu com nosso filho não pode se repetir com nenhuma outra criança”.
Investigação
As diligências realizadas pelo 24° Distrito Integrado de Polícia (DIP) apontam para uma sequência de falhas em várias etapas do atendimento. A investigação envolve diretamente a médica Juliana Brasil, responsável pela prescrição da medicação, e a técnica de enfermagem Raiza Bentes, que a aplicou.
O delegado Marcelo Martins, titular do 24° DIP, já solicitou a prisão de ambas em duas ocasiões. No primeiro pedido, Juliana conseguiu um habeas corpus preventivo que impediu sua detenção, mas a medida foi posteriormente revogada. O segundo pedido de prisão foi negado pela Justiça.
Juliana Brasil e Raiza Bentes foram afastadas de suas funções por 12 meses, período que pode ser prorrogado. Segundo o delegado, os elementos reunidos indicam erros sistemáticos e responsabilidades compartilhadas entre os profissionais que atuaram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com a investigação, uma medicação específica poderia ter sido administrada para reduzir os efeitos cardíacos, mas não foi utilizada. A equipe também não acionou médicos especialistas, e os critérios para a intubação teriam sido aplicados de forma equivocada, incluindo o uso de medicação inadequada para o procedimento.












