Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Transpalavras: Poesia e Prosa na Literatura Trans em Manaus é um encontro que ocorrerá neste sábado, 26/10, no espaço cultural Sereia Mística, localizado na rua Luiz Antony, 397, no bairro Aparecida.
O evento reunirá mulheres trans ligadas à arte manauara, incluindo as escritoras Márcia Antonelli, Andira Matagal, Teresa Manigonco Puri e Maria do Rio Negro.
O que significa ser trans?
Sobre o conceito de “trans”, Antonelli explicou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS: “Para mim, vem de transexual, representa quem transcende, transiciona e transgride. É sobre transformação e ver o mundo de uma nova perspectiva. A mulher trans é aquela que superou muitas barreiras. Eu criei o neologismo ‘transcritora’, que combina ‘trans’ com ‘escritora’, referindo-se a uma mulher trans que escreve.”
Márcia, que é autora de contos, crônicas, novelas e ensaios e também Mestra da Cultura, se interessou pela literatura ao perceber a relevância de sua voz em meio aos desafios enfrentados por mulheres trans. “Esses desafios influenciam diretamente minha literatura”, compartilhou.
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Compartilhando experiências
A atriz Maria do Rio Negro, autora dos fanzines Los Rios de Leche y Miel, Fogo sob a Pele e Poética Encantada das Ruas, mencionou que pretende compartilhar poesias e trechos de um conto que explora a conexão entre o corpo e a natureza, ressaltando como a vivência trans se entrelaça com o ambiente ao nosso redor.
A invisibilidade das pessoas trans na literatura brasileira e sua relação com o epistemicídio – a tentativa de erradicar formas de saber e existir – também será um tema abordado durante a noite literária.
Mercado literário trans
O mercado literário trans no Brasil vem ganhando espaço, e em Manaus, Márcia Antonelli tem contribuído para abrir esse caminho, especialmente após o lançamento de seu recente livro, Rasgada ao Meio.
“Espero que mais ‘Marcias Antonellis’ surjam na literatura trans”, disse ela. “O Sereia Mística é um espaço que oportuniza vozes e ações artísticas de diversos segmentos, especialmente do cenário underground de Manaus, que ainda é muito marginalizado. O evento deste sábado é pioneiro ao dar espaço para a fala de mulheres trans que escrevem, atuam e vivem a arte.”

Maria do Rio Negro também comentou sobre a construção do mercado literário trans em Manaus, impulsionado por editoras independentes que valorizam a diversidade de narrativas. “Essas editoras desempenham um papel crucial, publicando obras de autores trans e desafiando a lógica das grandes editoras, promovendo uma economia criativa que apoia artistas locais e periféricos”, observou.
Para Maria, a literatura oferece uma oportunidade de se conectar diretamente com o público, transformando suas experiências como mulher trans em algo universal. “A cultura literária tem o poder de transformar percepções e abrir diálogos. Compartilhar as vozes das mulheres trans é afirmar que nossas narrativas são essenciais para o tecido social. Isso me faz acreditar que estamos rompendo silêncios históricos em uma cidade que muitas vezes se mostra conservadora e lgbtfóbica”, relatou.

O Transpalavras promete ser um momento significativo para a literatura trans em Manaus, celebrando a diversidade e fortalecendo as vozes que muitas vezes são silenciadas.






