Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um estudo do especialista em trânsito Manoel Paiva, enviado ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, identificou os principais pontos críticos de conflito no trânsito de Manaus, resultantes da falta de infraestrutura básica, sinalização e planejamento viário em áreas estratégicas da cidade.
O material, intitulado “Pontos Negros de Conflitos no Trânsito de Manaus”, mapeia trechos onde acidentes, congestionamentos e situações de risco se tornaram recorrentes, afetando diretamente a qualidade de vida da população.
Entre os problemas mais comuns estão vias estreitas, ausência de drenagem, calçadas inexistentes ou inacessíveis, deficiência de iluminação pública, falta de sinalização horizontal, vertical e semafórica, além da escassez de fiscalização e de transporte coletivo regular.
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Pontos negros
Os chamados pontos negros são trechos rodoviários com histórico elevado de acidentes ou fatalidades, geralmente causados por falhas de projeto, manutenção precária ou cruzamentos que exigem atenção redobrada.
O levantamento de Paiva destaca que sem intervenção, esses locais continuam oferecendo risco diário a motoristas, pedestres e ciclistas.
Principais pontos identificados



Colônia Japonesa (rua Heisei com rua Waldemar Jardim Maués): grande fluxo de veículos, vias estreitas, ausência de drenagem, falta de calçadas, iluminação pública deficiente, ausência de sinalização e transporte coletivo irregular.
Avenida dos Franceses (cruzamento com rua Cacilda Pedrosa, Alvorada): necessidade de alongamento das pistas, instalação de semáforos, melhoria nas travessias de pedestres, segurança para usuários de transporte coletivo e construção de calçadas acessíveis.
Avenida Professor Nilton Lins (retorno para o bairro da União, Parque das Laranjeiras): falta de sinalização, fiscalização e projeto viário eficiente, tornando o local um ponto crítico para acidentes.
Avenida Hibisco (Distrito Industrial 2, zona Leste): vias tomadas por buracos e crateras, dificultando o tráfego de moradores, comerciantes e empresas.
Fatores técnicos
Segundo Manoel Paiva, um ponto negro é identificado pela recorrência de acidentes devido à sobreposição de fluxos conflitantes e à ausência de soluções de engenharia viária adequadas.

“Em Manaus, esses locais apresentam interseções mal resolvidas, retornos irregulares, conversões perigosas e falta de segregação entre os modais”, afirma. Ele destaca que alta velocidade, ausência de controle e geometria viária inadequada criam um cenário propício a colisões frontais, transversais e atropelamentos.
“Quando não há clareza sobre prioridades, limites de velocidade e movimentos permitidos, o risco de acidentes aumenta de forma exponencial”, acrescenta.
Impacto e soluções
Paiva reforça que investir em infraestrutura básica e fiscalização contínua é essencial. “Sem essas medidas, qualquer ação pontual perde eficácia, e os pontos negros tendem a se perpetuar. Muitas intervenções não exigem grandes obras, mas sim reordenamento do fluxo, correção da geometria das vias e controle semafórico adequado”, explica.
O especialista alerta que, a médio prazo, o número de vítimas e acidentes graves pode crescer, transformando o trânsito em um fator de sobrecarga do sistema de saúde, prejuízos financeiros e insegurança urbana, consolidando um modelo de mobilidade excludente e perigoso.






