Nicolly Teixeira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A médica Sophia Dib, que teve sua identidade utilizada de forma indevida pela educadora física Sophia Livas de Morais Almeida — acusada de exercer ilegalmente a medicina ao atender crianças com cardiopatias graves em Manaus —, se pronunciou sobre o caso nesta quarta-feira, 20/5, no programa “Encontro com Patrícia Poeta”.
Em entrevista por videochamada, Sophia relatou que tomou conhecimento da situação após ser notificada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), que havia recebido denúncias sobre a emissão de supostos atestados médicos falsos.
Ao verificar a autenticidade dos documentos, ela constatou que nunca havia atendido os pacientes citados e que a caligrafia nos atestados não era sua. No entanto, o carimbo utilizado era praticamente idêntico ao seu, com o mesmo nome e número de registro profissional.
A médica afirmou que, imediatamente, registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.), mas, à época, ainda não sabia quem estava usando sua identidade e colocando em risco a vida de diversas crianças.
Sophia Dib esclareceu que não conhecia Sophia Livas, mas revelou que a acusada teve acesso aos seus dados por frequentar o Hospital Universitário Getúlio Vargas, onde a médica é residente há três anos.
“O vínculo dela com o hospital era através de um projeto de pesquisa, mas ela entrou como educadora física, não como médica. Projetos de iniciação científica permitem a participação de vários profissionais da saúde, não apenas médicos. Foi assim que ela teve acesso ao hospital, mas não possui qualquer vínculo como médica ou atendente”, explicou.
Especialista em cardiopediatria, Sophia confessou que temeu pelo futuro da sua carreira após a repercussão do caso.
“Tive medo de que ela prejudicasse alguém e, consequentemente, arruinasse a minha carreira. Fiquei chocada com a atitude dela e com o fato de que fez isso com pessoas em situação de alto risco. Não eram pessoas saudáveis que estavam indo se consultar. Eram crianças e grávidas”, desabafou.
Entenda o caso
Sophia Livas foi detida durante a “Operação Azoth”, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), em uma academia localizada na zona Centro-Sul de Manaus. Na casa da suspeita, foram apreendidos receituários médicos, crachás falsificados e documentos que comprovam a acusação de exercício ilegal da medicina.
De acordo com a polícia, a mulher atuava como médica há pelo menos dois anos, mesmo sem possuir formação na área. Ela atendia pacientes — incluindo crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) — e prescrevia medicamentos controlados, inclusive remédios de tarja preta.






