Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O relatório do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) sobre a viagem do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), ao Caribe durante o Carnaval deste ano apontou ausência de comprovação da origem dos recursos.
A denúncia apresentada pelo vereador Coronel Rosses (PL) aponta que a viagem de Almeida ao exterior não teve transparência e ocorreu em meio à crises na cidade, como fortes chuvas e um apagão. O processo questiona se houve envolvimento de dinheiro público na viagem, que também teria contado com empresários ligados à prefeitura.
“Isso tudo fere o princípio da administração pública. É, David [Almeida]. Se ficar provado que houve vantagem pessoal, tu pode ser enquadrado na lei de improbidade administrativa. O laudo foi direto. Não há prova nenhuma definitiva de que houve gasto público, mas há indícios de favorecimentos a particulares. Por isso o Tribunal recomendou que continue a investigação que nós começamos e nós solicitamos. Fica o recado aqui. O povo está de olho”, declarou o vereador.
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Ao ser questionado sobre os custos da viagem que incluiu esposa, Izabelle Fontenelle, e empresários em roteiro paradisíaco, David Almeida apresentou dois “recibos vagos”, somando mais de R$ 30 mil, apenas para “upgrades” e trechos específicos das passagens.
“Persistem elementos que demandam aprofundamento instrutório, sobretudo pela ausência de comprovantes relativos às demais despesas realizadas na viagem (hospedagem, consumo e transporte terrestre), bem como pela necessidade de esclarecer a natureza e origem do financiamento da viagem em sua integralidade”, destaca o documento.
A defesa do prefeito alega que a Construtora Royal Tech (CNPJ: 09.544.532/0001-64) não tinha vínculos com a Prefeitura de Manaus. No entanto, o laudo do TCE-AM aponta que a empresa recebeu mais de R$ 7 milhões entre 2020 e 2025. Além disso, contratos com outras empresas também podem ser avaliados.
“Sugerimos ao Tribunal Pleno se assim entender que de conheça a representação e dê prosseguimento ao feito visto que há evidências de favorecimento a particulares e desrespeito a princípios basilares que devem reger os processos administrativos para as contratações públicas vinculadas à Prefeitura Municipal”, conclui o TCE-AM.
Questionado pela imprensa nesta sexta-feira, 23/5, sobre o relatório do referido órgão, David Almeida, respondeu aos jornalistas. “O que eles acharem que eu preciso responder, eu vou responder. Eu acho que estão equivocados”, disse o prefeito.






