Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A segunda noite do Festival #SouManaus 2025, no Centro da capital, foi marcada por denúncias de extorsões praticadas por flanelinhas, que estariam cobrando valores entre R$ 50 e R$ 100 para liberar vagas de estacionamento nos arredores dos palcos principais do evento no sábado, 6/9.
O sargento Loiola, da Polícia Militar, publicou em suas redes sociais um vídeo em que aborda dois flanelinhas suspeitos de praticar a cobrança. Na gravação, ele alerta que a prática configura crime.
“A gente está recebendo muita denúncia de flanelinha cobrando 50, 70 até 100 reais. Configura crime de extorsão ou coação. É crime. Você dá o dinheiro se você quiser. Estamos aqui hoje, já é sábado, no Passo a Paço. É muita gente reclamando, não foi só uma, duas, três, é várias pessoas”, afirmou.
Além das denúncias feitas à polícia, o vereador Rodrigo Guedes (PP) também expôs a situação em suas redes sociais, na sexta-feira, 5/9. Ele relatou a existência de uma suposta “máfia dos flanelinhas” e flagrou abordagens em que os trabalhadores cobravam valores fixos adiantados para guardar carros e motos, chegando a aceitar pagamentos por cartão de crédito e débito.
Após a intervenção do parlamentar, alguns flanelinhas alegaram que não estavam obrigando os motoristas a pagar. No entanto, segundo relatos de frequentadores do festival, muitos acabam cedendo por medo de represálias e possíveis danos aos veículos.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para questionar as denúncias de cobrança abusiva nos arredores do Festival Sou Manaus – Passo a Paço. Até o fechamento desta matéria, a gestão não havia se respondido.
No entanto, em coletiva realizada no sábado, 6, a Prefeitura informou que, durante uma abordagem de rotina, a Guarda Municipal prendeu um homem que se apresentava como flanelinha e portava uma arma de fogo. Além disso, segundo a administração municipal, 50 flanelinhas foram retirados de circulação do entorno do festival como parte da ação de fiscalização.
A prática dos flanelinhas
O serviço de vigiar carros em vias públicas deu origem ao apelido “flanelinha”, referência ao pano que esses trabalhadores usam para limpar veículos. Embora a atividade em si não seja ilegal, o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que eles não podem exigir pagamento.
Se houver cobrança forçada, a prática pode ser enquadrada como extorsão. O artigo 158 do Código Penal define o crime como: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa”.






