Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A falta de segurança e até mortes nos rios da Amazônia preocupa quem trabalha na região, somente na área do porto da Ceasa, na zona Sul de Manaus, cinco embarcações e seus tripulantes foram assaltados nos últimos seis meses. Os dados foram apresentados pelo Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas (Sindarma) durante reunião com os representantes dos sindicatos dos Fluviais da Seção de Convés (Sindflu) e dos Trabalhadores Aquaviários (Sintraqua), no último dia 26/1.
A adoção de ações conjuntas para estimular os órgãos públicos de segurança a implantar medidas efetivas para assegurar a vida dos trabalhadores fluviais, diante dos constantes ataques de piratas nos rios e portos da região foi uma das principais iniciativas acordadas na reunião promovida pelo Sindarma.
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O vice-presidente do Sindarma, Madson Nóbrega, destacou a necessidade urgente de reforçar a presença policial nos rios e também nas áreas dos terminais portuários do Amazonas.
“Além dos ataques diários nos rios, as quadrilhas também assaltam os terminais do interior e da capital. As transportadoras de combustíveis, com ajuda das distribuidoras, já estão arcando para manter escoltas privadas dentro das embarcações e também estão arcando com vigilantes nos portos devido ao aumento desse tipo de prática, mas além dos custos altos, há falta de profissionais capacitados para dar conta da quantidade de criminosos que dominam os rios e as orlas fluviais no estado”, destacou Nóbrega.

Base Fluvial Arpão
Em outubro do ano passado, um confronto entre suspeitos de praticar pirataria no município de Coari, a 363 quilômetros de Manaus, e Policia Militares (PM), resultou na mortes de dois integrantes do grupo criminoso. Na época a polícia apreendeu armas, munições e botes, além de itens roubados de vítimas.
As equipes da Base Fluvial Arpão e do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM) da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM) e do 5º BPM, se deslocaram para a localidade e ao terem chegado ao local indicado foram recebidos a tiros. As equipes policiais revidaram e efetuaram disparos.
Dois dos suspeitos foram atingidos, socorridos, mas não resistiram e morreram após o confronto. Os outros quatro suspeitos fugiram em direção a uma área de floresta.

Propostas
Entre as propostas apresentadas no encontro, por sugestão do Sindarma foi acordada a elaboração de um documento aprovado pelas três entidades (Sindarma, Sindflu e Sintraqua) a ser entregue aos órgãos públicos, no qual apontam as áreas de maior risco e medidas emergenciais para coibir os ataques e ameaças. Os representantes dos sindicatos também pretendem promover reuniões com o Poder Público para acompanhar o avanço das atividades.
“Vamos unir forças para encontrar soluções conjuntas para esta situação que afeta toda a sociedade. Em diversas ocasiões, o Sindarma já comunicou às autoridades que além dos riscos à segurança de milhares de trabalhadores, há risco de acidente ambiental caso uma balsa seja atingida por tiros e também de desabastecimento em algumas regiões, uma vez que há rotas que são muito perigosas e há dificuldade de contratar tripulantes”, acrescentou Madson Nóbrega.






