Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Denúncias como desvio de função, risco à vida e falta de segurança são realizadas pelos servidores do Centro de Saúde Mental do Amazonas (Cesmam), anteriormente conhecido como Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, localizado na avenida Desembargador João Machado, no bairro Planalto, zona Centro-Oeste de Manaus.
No dia 25 de outubro, a equipe do Cesmam registrou um Boletim de Ocorrência no 10º Distrito Integrado de Polícia (DIP) após a entrada de Paulo Lima, um ex-policial militar sob efeito de drogas, que ameaçou os profissionais de saúde de morte e agressão física. Ele buscou atendimento de urgência psiquiátrica à noite.
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De acordo com o boletim, a esposa do paciente foi informada sobre a necessidade de contenção mecânica e química devido ao risco iminente de agressão, mas se opôs à medida. “Disse que entraria em contato com amigos policiais para fazer a abordagem”, relata o documento.
Em resposta à gravidade da situação, a equipe de saúde acionou a Polícia Militar, mas as tentativas de diálogo terapêutico foram infrutíferas. O paciente tentou agredir o médico, levando a equipe a aplicar contenção mecânica, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde, mesmo com a equipe reduzida.
Um servidor do Cesmam, em desabafo, comentou: “Amo a psiquiatria, sempre levantei essa bandeira. Hoje, porém, não existem mais condutas adequadas. Imagine esperar duas horas pela polícia em uma situação crítica, enquanto precisamos de uma equipe adequada”.
O boletim ainda menciona que a contenção química, prescrita pelo médico plantonista, foi realizada e o paciente ficou em observação na unidade, com a informação comunicada à gerente de enfermagem.

Em conversa com o Portal RIOS DE NOTÍCIAS, um trabalhador do Cesmam revelou que, atualmente, a equipe conta com um psiquiatra, dois enfermeiros e quatro técnicos, um número insuficiente para atender a alta demanda de dependentes químicos, que representam cerca de 90% dos atendimentos. “Estamos expostos, pois não temos nem uma revista simples. Já atendemos pacientes armados com facas do tipo peixeira. Precisamos de mais segurança no Centro”, destacou.
O servidor explicou que a equipe deveria focar no atendimento a doenças psiquiátricas, como esquizofrenia, depressão grave e tentativas de suicídio. No entanto, muitos casos são relacionados a dependentes químicos que deveriam ser encaminhados ao Centro de Reabilitação em Dependência Química (CRDQ) Ismael Abdel Aziz, localizado em Rio Preto da Eva.
Desabafos
Alguns profissionais de saúde do Cesmam compatilharam relatos preocupantes à REPORTAGEM.
“Esta noite, enfrentei uma situação estressante que elevou minha pressão arterial. Estamos cansados e nunca estivemos tão próximos do perigo, sem suporte de segurança. Estamos à mercê de uma tragédia”, afirmou um servidor.
“Em tantos anos de profissão, nunca enfrentei tantas ameaças e riscos de vida como agora. Isso é resultado de um ambiente inadequado para a saúde mental, pequeno e sem apoio de segurança. Até a inauguração do novo hospital, corremos o risco de fatalidades”, lamentou outro profissional.
“Não há mais protocolos adequados de manejo. O paciente deve ser tratado como tal, mas na prática, a conversa não funciona. Frequentemente, a família quer levar o paciente e abre a porta, liberando-o. Estamos sendo maltratados e corremos risco de morte a todo momento”, desabafou um servidor.
“Acabou o respeito e a segurança. Eu me achava forte, mas agora estou adoecendo por conta dessa situação. Precisamos de um fluxo de manejo adequado ou nada mudará. Exigimos respeito e segurança… basta!”, concluiu outro profissional.
Esses relatos evidenciam a urgência de melhorias nas condições de trabalho e atendimento no Centro de Saúde Mental do Amazonas.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) a fim de saber quais medidas serão tomadas em relação às denúncias, no entanto ainda não houve um retorno. O espaço segue aberto.






