Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Servidores da educação protestaram na manhã desta sexta-feira, 7/11, na Praça da Polícia, localizada Centro de Manaus, contra a aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 8/2025, que trata da Reforma da Previdência dos servidores municipais.
A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom Sindical) após a votação da reforma na Câmara Municipal, que terminou com 30 votos a favor e 10 contra. A proposta altera regras de aposentadoria e pensão dos servidores públicos municipais, elevando a idade mínima e o tempo de contribuição necessários.
O sindicato informou, na quinta-feira, 6, que a Reforma da Previdência do ManausPrev ainda não foi votada em segundo turno, etapa necessária para sua aprovação definitiva. “Vamos impedir que o prefeito coloque o projeto da morte para ser votado em segundo turno”, afirmou a ASPROM Sindical.
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‘Projeto misógino’
Uma das manifestantes afirmou que, se o projeto de lei for aprovado, a educação será paralisada. Ela criticou a gestão do prefeito David Almeida (Avante) e do presidente da Câmara, David Reis (Avante), e classificou a proposta como misógina contra as mulheres.
“Estou orgulhosa de ver tantas mulheres reunidas indignadas por esse projeto misógino que ameaça a presença da mulher em sala de aula”, disse.
Entre os cartazes exibidos, muitos servidores da educação expressaram indignação contra o aumento da idade de contribuição. Um dos cartazes mais destacados dizia: “Lutando para descansar antes que a lousa vire lápide”.
O professor Lambert Mello destacou que nenhum servidor deseja greve, recurso utilizado apenas em último caso. Segundo ele, representantes da categoria tentaram dialogar com a Câmara, com o prefeito e com o ouvidor-geral da Prefeitura, Ebenezer Bezerra. “O projeto foi colocado para aprovar e foi aprovado? Nós estamos legalmente autorizados a deflagrar greve”, afirmou.
Segundo Mello, a greve é a única alternativa capaz de fazer o prefeito reconsiderar a proposta. “A luta não terminou, porque a votação final ainda não ocorreu”, completou.
‘PL da Morte’
O projeto aprovado na última quarta-feira, 5, provocou forte reação de diversas categorias, especialmente da educação, devido à falta de diálogo com os servidores. Manifestantes acompanharam a votação na Câmara, que foi marcada por protestos e indignação.
Elaborada com base em minuta da consultoria privada Brasilis, a proposta altera regras de aposentadoria e pensão dos servidores municipais. Entre os pontos mais polêmicos estão:
- Aumento da idade mínima para aposentadoria: 65 anos para homens e 62 anos para mulheres;
- Tempo mínimo de contribuição: 25 anos;
- Professores: mantido o direito de se aposentar cinco anos antes da idade mínima;
- Aposentadoria compulsória: passa a ser aos 75 anos, exigindo maior tempo de serviço público.
A votação em segundo turno deve ocorrer nas próximas semanas, e servidores permanecem mobilizados para acompanhar o desfecho da reforma.






