Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O senador Plínio Valério (PSDB) afirmou, nessa quarta-feira, 19/3, durante a sessão no plenário, que não se arrepende do comentário feito sobre a ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva. Além disso, rebateu as críticas, dizendo que considera a questão resolvida com a ministra após ter sido chamado de “psicopata” por ela.
Na última sexta-feira, 14, durante um evento da Fecomércio no Amazonas, o senador declarou que sentiu vontade de “enforcar” a ministra ao relembrar sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs.
Plínio Valério mencionou a crise enfrentada pelo Amazonas durante a pandemia de Covid-19, quando o estado sofreu com a falta de oxigênio nos hospitais. Ele argumentou que a BR-319 poderia ter auxiliado no transporte de cilindros de oxigênio, mas que o projeto foi discutido na CPI das ONGs sem avanços.
“Esse episódio aconteceu comigo, mas esquecem os milhares de mortos no Amazonas. Até hoje nós contamos os nossos mortos. Na CPI das ONGs, a tratei com respeito por ser mulher, negra e ministra. Eu falei que a BR-319 poderia auxiliar no transporte, e ela respondeu que não liberaria uma BR para ‘vocês passearem’. Imagina isso”, declarou o senador.

A fala ocorreu logo após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), repreendê-lo: “Eu acho que ele foi muito infeliz nessa colocação”, afirmou Alcolumbre, relatando que recebeu cobranças de outros parlamentares sobre a postura de Valério.
Leia mais: Marina Silva fala em ‘psicopatas’ ao responder declaração de Plínio Valério
Apesar da repercussão negativa, Plínio Valério reafirmou que não pretende pedir desculpas.
“Eu poderia chegar aqui e dizer ‘ah, me desculpa, eu me excedi’. Sim, brinquei fora de hora, e se perguntarem se eu faria de novo, eu diria que não. Mas eu não me excedi, eu não ofendi ninguém”, declarou ele.
Ainda na quarta-feira, 19, Marina Silva classificou a fala do senador como uma incitação à violência contra a mulher. “Só psicopatas brincam com a vida das pessoas. Isso é dito porque sou mulher, negra, de origem humilde, e porque defendo uma agenda que, em muitos momentos, confronta interesses de alguns”, disse a ministra.
Em resposta, Valério afirmou que considera a questão resolvida após a declaração da ministra. “Claro que eu não tenho o direito de ofendê-la, mas eu não a ofendi. Agora, ela me ofendeu, me chamou de psicopata, ofendendo um senador da República. Mas isso também não me ofende”, concluiu ele.






