Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A estiagem extrema deste ano tem revelado um cenário devastador no Amazonas, que alerta para a questão climática, mas também para outro grave problema: a grande quantidade de lixo jogada nos igarapés de Manaus.
O portal RIOS DE NOTÍCIAS tem percorrido algumas áreas críticas da cidade, como a Orla do Educandos e também da Manaus Moderna, para ver de perto a quantidade de resíduos sólidos que ficaram acumulados no solo com a descida das águas. A quantidade de lixo que se junta é preocupante.
Segundo o geógrafo e ambientalista, Carlos Durigan, faltam políticas públicas eficazes em Manaus para lidar com a questão dos resíduos sólidos, mesmo com o país já possuindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos desde 2010.
“Manaus já tem um problema de Aterro Sanitário, que já chegou ao seu limite. Novas áreas estão sendo verificadas e nós percebemos que, mesmo assim, não temos uma política forte, por exemplo, de destinação de materiais recicláveis para reduzir o volume que vai para os Aterro, como plásticos, metais, vidros”, pontua o especialista.
Além das políticas públicas, Durigan ressalta a importância do engajamento da população na redução e reciclagem do lixo. O ambientalista reforçou que existem áreas de descarte voluntário de lixo reciclável em vários lugares da capital, e encoraja a população a fazer escolhas sustentáveis, evitando o uso de materiais descartáveis sempre que possível.

“É necessário um engajamento mais forte junto à população e à sociedade para reduzir ao máximo o lixo, dar boa destinação. Nós vemos uma quantidade de lixo pela cidade, nas ruas e nas lixeiras viciadas. Muitas áreas verdes em Manaus acabam se tornando depósitos de lixo. E isso tem a ver com a dificuldade do poder público de cuidar dessa agenda e implementar a Política Nacional de Resíduos Sólidos no município. Mas, a população precisa estar atenta para fazer a sua parte e fazer boas escolhas, como evitar o uso de material descartável, quando possível”
Carlos Durigan, geógrafo e ambientalista
Uma cidade limpa e bem cuidada, explicou o estudioso, não apenas melhora a qualidade de vida e a saúde da população, mas também atrai turistas, gerando benefícios econômicos para a região.
Como recomendação, Durigan orienta que a população evite o uso direto da água dos rios, especialmente no espaço urbano, devido ao aumento da contaminação por esgoto e lixo.
“A preocupação maior é também com a qualidade da água, que cai bastante. Em geral e principalmente no espaço urbano, é ideal que as pessoas não se banhem nos rios, porque com o baixo volume de água aumenta a contaminação por esgoto, por lixo. E isso também leva ao potencial de aumento de doenças que são transmitidas pela água contaminada. O ideal também é não fazer o uso da água diretamente do rio. Para consumo, usar água tratada e, na medida do possível, evitar esse uso direto para evitar também problemas de saúde”, orienta.
A reportagem entrou em contato com a assessoria da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) para saber que trabalhos vêm sendo feitos para implementação da Lei de Resíduos Sólidos em Manaus, bem como para fazer frente a grande quantidade de lixo aparente com a seca dos rios, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta aos questionamentos.
Vigilância Sanitária alerta
A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) do Amazonas emitiu um alerta para a população sobre a necessidade de medidas preventivas contra doenças comuns durante o período de vazantes na região.
O monitoramento da FVS revelou um aumento nos casos de hepatite A no período de janeiro a agosto de 2023, com 18 casos confirmados, em comparação com os 15 casos registrados no mesmo período do ano anterior.
A leptospirose apresentou uma redução de 66,7%, com 24 casos confirmados, também até agosto de 2023, em comparação com os 48 casos registrados em 2022.
A pasta ressaltou a importância da prevenção dessas doenças, especialmente nas comunidades mais afetadas pela estiagem no Estado, que está implementando um plano de contingência em parceria com as secretarias municipais de saúde para reduzir o risco de emergências de saúde pública.
A FVS também monitora doenças diarreicas agudas por meio da rede sentinela orienta a população a procurar os hospitais públicos ao apresentar sintomas como diarreia, febre e vômito. O atendimento precoce pode evitar casos graves e mortes.
Uma medida preventiva recomendada pela FVS é o uso de hipoclorito de sódio no tratamento domiciliar da água de consumo humano, especialmente durante o período de vazante, para melhorar a qualidade da água e prevenir doenças transmitidas pela água.
O produto é distribuído gratuitamente pelas secretarias municipais de saúde do interior e deve ser utilizado adicionando duas gotas de hipoclorito de sódio com concentração de 2,5% para cada litro de água. A medida visa proteger a saúde da população, especialmente daquelas que não têm acesso a água tratada.






