Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Em uma ação batizada de Operação Roque, a Polícia Federal (PF) prendeu quatro advogados apontados como integrantes do núcleo jurídico de uma organização criminosa com atuação no Amazonas. Segundo as investigações, o grupo se aproveitava do acesso privilegiado aos presídios para levar recados, ordens e dinheiro de chefes da facção para integrantes em liberdade.
Os presos foram identificados como Janai de Souza Almeida (OAB 13996/AM), Ramyde Washington Abel Caldeira Doce Cardozo (OAB 12029/AM), Gerdeson Zuriel de Oliveira Menezes (OAB 11164/AM) e Alisom Joffer Tavares Canto de Amorim (OAB 16260/AM). Todos possuem registro regular e ativo na OAB-AM, conforme o Cadastro Nacional de Advogados (CNA).
Com base em consulta ao Cadastro Nacional dos Advogados (CNA), o Portal RIOS DE NOTÍCIAS reuniu as informações sobre cada um dos advogados presos na operação deflagrada nesta quinta-feira, 6/11.
Leia também: Operação mira advogados suspeitos de atuar para facção criminosa no Amazonas




De acordo com a PF, os advogados eram peças-chave para garantir a comunicação entre os líderes presos e o comando da facção fora das unidades prisionais. Além do repasse de bilhetes e dinheiro, eles também articulavam transações financeiras, lavavam recursos do tráfico e participavam de estratégias de represália e alianças com criminosos de outros estados.
As prisões são desdobramento da Operação Xeque-Mate, deflagrada anteriormente para investigar Alan Sérgio Martins Batista, o “Alan do Índio”, apontado como o principal líder do Comando Vermelho no Amazonas. Foragido desde 2023, Alan é suspeito de coordenar o envio de drogas vindas da Colômbia e de ter realizado cirurgias plásticas para dificultar o reconhecimento e escapar da polícia.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam computadores, documentos, veículos e valores em espécie, que agora passam por perícia e rastreamento financeiro. As ações foram realizadas com apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-AM), que reúne forças estaduais e federais.



OAB se pronuncia
Em nota, a OAB Amazonas informou que acompanha o caso por meio da Comissão de Defesa das Prerrogativas, “com o objetivo de assegurar a legalidade dos atos e a preservação dos direitos da advocacia”. A instituição disse ainda que aguarda a conclusão das investigações para se posicionar sobre eventuais medidas disciplinares.
A Polícia Federal destacou que a Operação Roque tem como foco enfraquecer a base jurídica do Comando Vermelho, considerada essencial para a manutenção das atividades da facção. Segundo os investigadores, o grupo preso atuava com aparência de legalidade, mas estava diretamente vinculado à estrutura financeira e operacional do tráfico no Amazonas.






