Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os bares tradicionais seguem firmes como pontos de encontro, convivência e memória afetiva, mantendo lugar cativo no cotidiano do manauara. No quadro Rolês Rios, revisitamos estabelecimentos que atravessaram gerações e ajudaram a construir a identidade boêmia da cidade, como o Bar do Armando, o Benedito Bar e o Bar e Peixaria do Metal.
Para ser considerado um botequim autêntico, o espaço precisa ter um clima informal e despojado, além de funcionar como território democrático, capaz de reunir públicos diversos e diferentes estilos de vida. Mais do que servir bebidas e petiscos, esses bares cumprem o papel de preservar tradições, fortalecer laços sociais e manter viva a boemia manauara.
Bar do Armando
O Bar do Armando é uma referência no Centro de Manaus. Fundado em 1963, é um dos mais antigos e tradicionais da capital e foi tombado como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado em 2015. Em entrevista, a atual proprietária, Ana Cláudia Soares, filha do fundador, o português Armando, afirma que o local mantém a preferência do público pela tradição boêmia, com a garantia de cerveja gelada e bons petiscos.

“A tradição boêmia de Manaus mantém esse local vivo. Certeza de boa música, cerveja gelada, petisco e boa localização. É um lugar onde você vai com segurança, sozinho ou para encontrar alguém conhecido, num ambiente plural, rico e diversificado. O bar precisa evoluir com as novas tecnologias, mas sem perder a tradição, para que os antigos frequentadores continuem vindo, ainda que com menos frequência”, disse a proprietária.

O estabelecimento é conhecido pelo famoso sanduíche de pernil e pelos bolinhos de bacalhau, com origem lusitana, mas também incorporando elementos da culinária amazonense.
“Nós somos um bar com origem lusitana, porque meus pais eram portugueses. A grande maioria dos petiscos é de origem portuguesa, mas também temos petiscos tipicamente amazonenses, como a carne em conserva e o pirarucu empanado”, afirmou ela.
Além disso, o bar é responsável por uma das bandas de Carnaval mais tradicionais da capital, a Banda da Bica, que sai anualmente pelas ruas do Centro e que, em 2026, chega à sua 40ª edição.
O Bar do Armando funciona às segundas-feiras a partir das 18h30 e de terça a domingo, a partir das 13h.
Benedito Bar
O Benedito Bar é a escolha para quem aprecia um happy hour e prefere retornar mais cedo para casa. Com cardápio variado, que inclui petiscos e hambúrgueres, o espaço oferece momentos de lazer e descontração com uma das vistas mais conhecidas de Manaus, o Teatro Amazonas.
“No Benedito, a gente procurou caprichar na qualidade dos produtos e no conforto do ambiente. Queríamos que as pessoas se sentissem bem e acolhidas. Aqui temos chope, drinks e comidinha de boteco. O público que vem aqui é aquele que gosta de sentar, tomar uma cerveja, um drink, comer um petisco e ouvir uma música ao vivo”, disse Rogério Barbosa, um dos proprietários.

Aberto todos os dias, das 17h às 23h, o proprietário conta que a escolha do nome teve como objetivo criar proximidade com o público e dar ao espaço uma identidade pessoal. Quarta geração de sua família a viver no entorno do Largo, ele explica que Benedito era o nome de seu avô paterno e também faz referência a São Benedito, santo padroeiro dos cozinheiros.
“Eu queria que o bar tivesse um nome de pessoa, algo que gerasse intimidade com os clientes. Benedito é o nome do meu avô e também do santo padroeiro dos cozinheiros, então tudo fez sentido”, disse Rogério.

Ele ressalta que estar localizado em uma área considerada patrimônio histórico e cultural da cidade é, ao mesmo tempo, uma responsabilidade e um prazer.
“A gente está numa área que é patrimônio histórico e cultural da cidade, então a gente zela por essa área, cuida para que se mantenha conservada, mas também para que o pessoal da cidade possa frequentar essa região”, contou ele.
Bar e Peixaria do Metal
O Bar e Peixaria do Metal se destaca como um espaço familiar no Centro de Manaus. Inaugurado em 1981, o estabelecimento é uma referência da cultura gastronômica amazônica e da tradição das peixarias da cidade.
“O pessoal procura sempre os peixes, como o pirarucu e o tambaqui. Quando é época da ova do jaraqui, eles pedem muito jaraqui. O Bar do Metal é diferente porque é muito tradicional. Meu pai sempre foi uma pessoa hospitaleira e dizia que aqui era a segunda família dele”, contou Nilda Figueiredo, uma das responsáveis pelo bar.

A filha do proprietário explica que o bar ficou conhecido pela tradição construída entre os frequentadores da região central ao longo dos anos. Segundo ela, o nome do estabelecimento surgiu a partir do apelido do pai, que acabou sendo incorporado ao cotidiano do local.
“O nome do bar é o nome do meu pai. Quando ele era mais novo, ele era mecânico e era lourinho. Os amigos diziam que o cabelo dele brilhava que nem metal e começaram a chamar ele assim. Quando ele abriu o bar, que era bar e mercearia, o pessoal falava: ‘vamos tomar uma lá no Metal?’, e acabou ficando Bar do Metal”, contou ela.
Nilda destaca que atualmente a responsabilidade pelo bar e peixaria está com ela e a irmã, mantendo o legado de um espaço tradicional e familiar.

“Agora quem cuida daqui sou eu e a minha irmã. A gente segue com esse legado que sempre foi muito familiar. Hoje o bar virou peixaria também, e todos os filhos participam de alguma forma”, disse.
A Peixaria e Bar do Metal funcionam de segunda a sábado, das 10h às 18h.






