Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A retirada de quatro assinaturas que inviabilizou a abertura da CPI do Asfalto na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) foi classificada pelo vereador Rodrigo Guedes (PP) como um ato de “barganha política”, envolvendo negociatas e articulações entre políticos e o Executivo.
A declaração foi dada durante entrevista ao quadro Jogo Limpo, da Rádio Rios FM 95.7, nesta segunda-feira, 25/8.
A CPI do Asfalto tinha como objetivo investigar a aplicação de R$ 181 milhões repassados pelo Governo do Amazonas à Prefeitura de Manaus para o programa “Asfalta Manaus”.
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Manobra Política
De acordo com Rodrigo Guedes, o tempo entre a coleta inicial de assinaturas e as retiradas subsequentes reforça o caráter político da manobra.
“Não tem nenhum ingênuo nessa história. O pedido da CPI foi protocolado antes do recesso parlamentar, lá em junho. Então, tiveram mais de um mês para os deputados analisarem. Após esse tempo, alguns assinam e depois retiram a assinatura. O que será que aconteceu nesse período?”, questionou o vereador.
Para ele, a atitude dos parlamentares é uma estratégia política em negociações com o Executivo.
“Infelizmente, muitos políticos se valem dessas situações para se valorizarem. Não é nem em benefício da população, mas para barganhar. ‘Olha, não assinei, então me trate melhor agora. Retirei minha assinatura, quero mais atenção, mais apoio’. São essas as tratativas que vemos entre deputados e o prefeito de Manaus e o governador”, afirmou, referindo-se à possível relação entre os parlamentares e os gestores.
Guedes também criticou o impacto da manobra na imagem do Parlamento diante da sociedade.
“É triste ver que, depois de tanta expectativa, os deputados acabam retirando suas assinaturas. Isso enfraquece a credibilidade da Assembleia e passa uma imagem muito negativa para a população”, lamentou. Ele alertou que o prestígio do Legislativo tende a ser cada vez mais afetado por esse tipo de postura.
Movimento Começou na Câmara Municipal
A movimentação em torno da CPI do Asfalto começou na Câmara Municipal de Manaus (CMM), onde o pedido protocolado por Rodrigo Guedes chegou a reunir 11 assinaturas, mas ainda faltavam três para atingir o mínimo regimental de 14. A ideia ganhou força na Aleam, onde o pedido foi apresentado e inicialmente obteve apoio de 10 deputados.
No entanto, com a retirada das assinaturas de Carlinhos Bessa (PV), Cristiano D’Angelo (MDB), Dan Câmara (Podemos) e Wanderley Monteiro (Avante), o número de assinaturas caiu para seis, inviabilizando o processo, que exigia ao menos oito assinaturas válidas.
Esperança na Câmara Municipal
Apesar das dificuldades na Aleam, Guedes se mostrou otimista quanto à possibilidade de avançar com a CPI na Câmara Municipal. “Na CMM, temos 11 assinaturas. Faltam três, e estamos trabalhando nisso. A sociedade e a imprensa têm cobrado respostas e isso é fundamental. Não me dei por vencido”, afirmou.
O vereador ainda destacou que o maior desafio agora é conseguir o apoio dos vereadores ligados ao Executivo. “A parte mais difícil é conseguir as assinaturas dos vereadores da base do prefeito. Mas, até agora, conseguimos o apoio dos mais independentes, que não estão alinhados ao Executivo. É difícil, mas não é impossível”, disse Guedes.
Pressão Popular como Solução
Por fim, Rodrigo Guedes defendeu que a pressão popular pode ser decisiva para mudar o cenário. “Quando a sociedade cobra, vemos uma mudança no comportamento dos políticos. Já vimos isso, principalmente no Congresso Nacional. Se a população se mobilizar e pressionar, vereadores e deputados acabam cedendo. Acredito que, se fizermos isso aqui também, podemos avançar”, concluiu.






