Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O São Raimundo está tecnicamente rebaixado no Campeonato Amazonense 2026 após perder de virada por 2 a 1 para o Princesa do Solimões, no sábado, 21/2, na Colina. O resultado encerra uma temporada marcada por baixo desempenho e críticas da torcida após a recusa da diretoria em aderir ao modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Durante o campeonato, o time somou apenas um ponto em seis jogos. Foram três gols marcados e 15 sofridos, configurando a pior campanha do clube nos últimos anos.

Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, especialistas explicaram que o rebaixamento é um indício de decisões controversas fora de campo, que refletem diretamente no desempenho da equipe.
“A gente vê um time que não se encontra. O São Raimundo só demorou a cair porque apenas um time é rebaixado. E isso acaba ficando em segundo plano quando a gente pensa que tudo foi construído fora de campo, a partir das atitudes de dirigentes. Quando se tem a oportunidade de fazer uma SAF, o que nunca foi explicado acabou sendo rejeitado”, disse o jornalista e locutor esportivo Marcos Dantas.
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Proposta de investimento recusada
Em maio de 2025, o empresário Janmes Alberto, então vice-diretor de esportes, apresentou uma proposta de investimento de R$ 5 milhões para cinco anos, voltada exclusivamente ao futebol. O acordo não incluía a sede nem o estádio da Colina, que permaneceriam sob a administração do São Raimundo, mas a proposta não foi aceita.
“O modelo de gestão do São Raimundo, mantido há décadas, não tem gerado resultados consistentes nem colocado o clube em posição de protagonismo no futebol amazonense. Diante desse cenário, a SAF poderia ser uma alternativa viável, desde que seja estruturada de forma realista e sem vender ilusões à torcida. Poderia ter tentado, mas deixou a oportunidade para um futuro incerto”, afirmou Marcos Dantas.

Com o rebaixamento, o empresário Janmes se manifestou nas redes sociais no domingo, 22. Ele lamentou a queda do clube e destacou que nem tudo depende apenas de vontade, mas também de visão coletiva e do legado a ser construído pelo Tufão.
“O rebaixamento de um clube centenário, que tem torcida e história, dói. Dói para quem ama de verdade. Foram tentativas, projetos, planejamento, proposta de SAF, busca por estrutura, profissionalização, futuro. Nem tudo depende só de vontade. Às vezes, depende de visão coletiva. Sempre foi sobre o clube e pelo legado dele”, destaca a postagem nas redes sociais.
No entanto, o presidente do clube, Josimar Alves, em entrevista ao programa Esporte Rios, na Rádio Rios FM 95,7, nesta segunda-feira, 23, explicou o motivo da recusa da SAF, afirmando que a proposta era inviável, pois os investimentos seriam a longo prazo e o empresário permaneceria com grande parte do conselho diretor.
“Foi colocada uma proposta da SAF, alguns torcedores não entendem. O São Raimundo tem dívidas como qualquer outro time. Tínhamos uma dívida de 140 mil, nunca tivemos dono, somos uma associação. Na proposta do empresário, o São Raimundo seria dele, onde 95% do futebol seria dele, com três cadeiras, e a diretoria apenas duas cadeiras, num contrato definitivo. Sendo uma proposta abusada”, diz o presidente.
Protestos e cobranças da torcida
O jornalista esportivo Leanderson Lima explicou que, durante o campeonato, a torcida do Tufão realizou protestos contra a diretoria, com duras críticas à gestão e pedidos por mudanças. Na ocasião, os manifestantes pediram a saída do presidente e do diretor de futebol, Rodrigo Melo, o Foca.
“Protestar é legítimo e o mínimo que se espera da torcida. Quem não aguenta pressão, seja dirigente ou jogador, precisa deixar o futebol e procurar outra atividade. Talvez dar aula de yoga seja uma alternativa mais compatível com esse perfil. Mesmo que a SAF não seja solução para tudo, dirigente ruim continua sendo ruim. Incompetência é incompetência em qualquer circunstância”, explica o jornalista.

No jogo contra o RPE Parintins, foram exibidas faixas no estádio com frases como: “Respeitem a história, respeitem o torcedor”, “Futebol não é favor, é obrigação”, “O São Raimundo é da sua torcida”, “Fora presidente Josimar”, “Negaram a SAF pra isso”, “O clube é do povo, não dos velhos”, “Novos sócios com direito a voto já” e “Trocaram a SAF por amadorismo”.
Nas redes sociais do clube também há críticas, como: “O time de 170 mil mensal conseguiu a meta, transformar um time de futebol de glórias a um clube de bolero, Josimar renuncie o cargo” e “O futebol parece que o São Raimundo ficou preso nos anos 2000 com esses caras”.


Apesar do rebaixamento, o presidente afirmou que o clube já iniciou o planejamento para os próximos anos e garantiu que o trabalho seguirá com foco na base, na reorganização financeira e na montagem de uma equipe competitiva.
“Vamos começar com o time de base. Estamos na Série B, mas sendo um time de Série A. Já temos toda uma programação para 2027. Mesmo sendo rebaixado, estamos com todas as dívidas em dia, sendo poucos os times que têm isso. Temos uma base toda montada e estamos em busca de novos. Em 2027, voltaremos com uma boa equipe”, afirmou o presidente.
O último compromisso do São Raimundo na competição será contra o Manaus, na quarta-feira, 25, às 17h (horário local), no estádio Carlos Zamith.
Outros rebaixamentos do Tufão
Tradicional clube de 107 anos, o São Raimundo, ao lado do Nacional, é um dos poucos representantes históricos da capital ainda na disputa do Campeonato Amazonense de 2026.
Em 2022, o “Tufão da Colina” voltou a ser rebaixado no Barezão após cinco derrotas consecutivas nas primeiras rodadas. A equipe ainda ensaiou uma reação e chegou à última rodada com chances de permanência, mas a derrota por 4 a 1 para o Manauara confirmou a queda.
Em 2018, somou seis pontos em dois turnos, com uma vitória, três empates e quatro derrotas. O time chegou a avançar ao mata-mata, mas acabou eliminado ao lado do Fast.
Já em 2017, o rebaixamento foi inevitável. Montada em parceria com o município de Fonte Boa, a equipe terminou na última colocação, com 13 derrotas em 14 partidas.






