Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – No último ensaio técnico do Boi Bumbá Corre Campo, nessa terça-feira, 23/7, a Rainha da Batucada (Item 17), Rayssa Santos, foi vítima de racismo ao mostrar em suas redes sociais seu último ensaio para a apresentação do bumbá, no próximo sábado, 27 de julho, no Sambódromo, durante o 66º Festival Folclórico do Amazonas – Categoria Ouro.
Há cinco anos, a dançarina faz parte do bumbá Corre Campo, e pela primeira vez, neste ano, ela assume o item 17 (Rainha da Batucada), que pontua na avaliação dos jurados.
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Atualmente, ela que tem 272 mil seguidores no Instagram, mostrou o comentário racista de uma internauta em seu post sobre o ensaio. “Esse sol de Manaus tá torrando o povo”, e assim que viu a mensagem preconceituosa, respondeu indignada:
“Eu sou uma mulher negra gente, não faz sentindo o sol tá me torrando e alterando o tom da minha pele, a verdade é que mulheres negras dentro desse cenário [boi bumbá] não se veem representadas, e quando são, elas se veem somente como mãe Catirina (escrava, segundo a história) por isso o espanto”.
Nesta quarta-feira, 24, ainda bastante abalada e muito emotiva, Rayssa Santos conversou com o Portal RIOS DE NOTÍCIAS e disse que está muito abalada.
“É muito difícil sofrer racismo e é bem chocante. A gente não quer acreditar que aquilo que estamos passando naquele momento é racismo. É um baque! Você fica se perguntando: ‘É sério que tô lendo isso?’. E aquilo fere de tal forma que ninguém entende, porque somente a pessoa que tá passando sente a dor, é um sentimento inexplicável. Não é legal! É como se tivesse feito algo de errado, mas é só por existir e ser negra”, explicou.


Segundo a dançarina, durante a pandemia ela estava fazendo uma live dançando, e alguém entrou na transmissão e a chamou de ‘Macaca dançante’. Outro dia, durante uma nova live em que a manauara fazia tutorial de maquiagem, outro internauta entrou e comentou ‘Preta feia’.
“São comentários de cunho racistas fortes e que ferem. Eu já registrei vários Boletins de Ocorrência porque não é a primeira vez”, destacou.
Rayssa contou ao riosdenoticias.com.br que após o ato racista, a direção e os integrantes do boi prestaram uma homenagem muito bonita para ela como forma de acolhimento.
Repercussão
Além do acolhimento do Corre Campo, nessa terça-feira, 23, a escola de Samba Andanças de Ciganos, tradicional agremiação do samba, localizada no bairro Cachoeirinha, na zona Sul de Manaus (berço cultural também do bumbá Corre Campo) emitiu uma nota de repúdio e solidariedade à Rayssa, que é referência na dança artística ao ponto de conquistar o tão cobiçado posto de rainha de bateria da Andanças.

Familiares, amigos, fãs e seguidore de Rayssa também prestaram apoio a Rainha da Batucada em suas redes sociais. “É muito difícil ser uma mulher negra do boi-bumbá. Não lhe dão destaque e quando dão acham que é muito. Quando se viu uma rainha do folclore negra? Nunca”, “A maior ignorância das pessoas racistas e preconceituosas, é sentir que são superiores. Ainda não aprenderam o significado da palavra ser humano”, comentaram os seguidores.
“Muitas pessoas estão me mandando mensagem, membros da cultura e das agremiações que participo, todos sendo solidários com a situação, eu fico feliz, pois sei que a grande maioria entende que sou uma voz ativa contra o racismo amo dançar e estão do meu lado”, finalizou a dançarina.






