Gabriel Lopes – Rios de Notícias
BORBA (AM) – A vereadora Elizabeth Maciel (Republicanos), conhecida como Betinha, causou forte repercussão ao afirmar ser “a favor da violência contra a mulher” durante sessão na Câmara Municipal de Borba, no interior do Amazonas, na última segunda-feira, 29/9.
A declaração foi feita em defesa do colega Pedro Paz (União Brasil), acusado de comportamento agressivo contra a vereadora Professora Jéssica (Democracia Cristã).
O caso ganhou visibilidade após Jéssica denunciar o parlamentar por levantar o dedo em sua direção de forma intimidadora durante uma sessão. Em vez de repudiar o gesto, Betinha minimizou a atitude e declarou apoio ao colega, afirmando não ver violência na situação. A fala provocou indignação nas redes sociais e entre movimentos de defesa dos direitos das mulheres.
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Não é a primeira polêmica
O episódio reacendeu discussões sobre o histórico da vereadora, que já esteve envolvida em outras polêmicas ao longo da carreira. Betinha foi eleita com 528 votos, pouco mais de 2,6% do total válido, e está em mais um mandato no Legislativo municipal. É professora do ensino fundamental e possui ensino superior completo, segundo a Justiça Eleitoral.
Em 2012, ela protagonizou um episódio de agressão física no plenário da Câmara, durante uma sessão transmitida pela TV Legislativa. A briga envolveu a vereadora Yolanda Andrade (PCdoB), com quem trocou socos após um desentendimento sobre a prestação de contas da presidência da Casa.

Segundo Betinha, a discussão teve início quando ela cobrou a prestação de contas de Yolanda, que havia assumido a presidência da Casa por três meses e recebido R$ 400 mil sem apresentar justificativas.
Durante a confusão, Betinha também foi agredida pelo filho e pelo sobrinho de Yolanda. A vereadora precisou de atendimento médico e registrou boletim de ocorrência. Exames de corpo de delito foram realizados, e o caso teve repercussão à época, mas não houve desdobramentos penais conhecidos.
Treta com ex-prefeito



Em 2024, meses antes da eleição municipal, Betinha denunciou o então prefeito de Borba, Simão Peixoto, por violência política de gênero. Segundo a vereadora, ele teria anulado sua exoneração do cargo de secretária municipal para inviabilizar sua candidatura, já que isso impediria a desincompatibilização dentro do prazo legal.
O caso foi levado à tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) pela deputada estadual Alessandra Campêlo (Podemos), que acusou o ex-prefeito de tentar deixar Betinha inelegível por motivos políticos. Peixoto negou perseguição e, após repercussão, corrigiu o ato administrativo, liberando a exoneração da então secretária.
Desculpas após repercussão
Diante da repercussão negativa da fala sobre violência contra a mulher, a vereadora Betinha pediu desculpas públicas nesta terça-feira, 30. Ela afirmou ter se expressado de forma equivocada e disse lamentar profundamente que suas palavras tenham ofendido mulheres.
“Fui infeliz na forma como me expressei. Me reportei daquele jeito porque na minha família já houve um caso que resultou em óbito. Peço sinceras desculpas a todas que se sentiram ofendidas”, declarou a parlamentar.
Ministério Público acompanha o caso

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) informou que abriu investigação sobre as declarações da vereadora. O promotor de Justiça Alison Almeida Santos Buchacher, recém-removido para a comarca de Borba, será o responsável por apurar os fatos e adotar as medidas legais cabíveis.






