Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A cesta básica em Manaus caiu 8,12% no segundo semestre de 2025, passando de R$ 674,78 em julho para R$ 620,42 em dezembro. A redução de R$ 54,36 foi impulsionada principalmente pela maior oferta de alimentos e pelo efeito de safra em itens essenciais como tomate, arroz e farinha.
Entre os produtos que mais contribuíram para a queda estão o tomate (-30,78%), a farinha de mandioca (-16,98%) e o arroz (-14,74%). O levantamento foi divulgado nesta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
De acordo com economistas consultados pelo Portal Rios de Notícias, o movimento está ligado ao aumento da produção agrícola e à entrada da safra, fatores que ampliam a oferta e pressionam os preços para baixo
Oferta
Segundo o consultor financeiro Alon Hans, o principal fator para a queda foi a maior disponibilidade de produtos no mercado, aliada ao efeito da safra em itens que pesam significativamente no carrinho de compras da população manauara.

“Em Manaus, os maiores recuos foram no tomate, na farinha e no arroz. Isso está ligado à produção, safra, oferta, consumo das famílias (demanda), além do câmbio e da logística”, explica.
O especialista destaca que, quando há aumento da produção ou melhora na colheita, os preços tendem a cair. Ele ressalta ainda que o próprio relatório associa a redução generalizada ao crescimento da produção, impulsionado por políticas de crédito agrícola.
“Já o consumo das famílias está mais fraco. Em alguns alimentos, o preço cai porque as famílias compram menos ou substituem marcas ou produtos. No caso do arroz, o Dieese aponta que a demanda retraída e o menor volume exportado ajudaram a derrubar os preços no varejo, no cenário nacional”, acrescenta.
Logística
Sobre a influência do câmbio e da logística, Alon Hans afirma que esses fatores também impactam os preços, mas que o ponto central da queda foi o recuo expressivo de itens agrícolas, especialmente hortifrutigranjeiros e produtos básicos.
“Em Manaus, a logística sempre pesa, mas quando a queda está concentrada em produtos de safra, geralmente o fator dominante é a oferta”, destaca. “Em 2026, o tomate pode continuar oscilando. Ele pode voltar a subir em caso de quebra de safra, excesso de chuvas, pragas, calor extremo, redução da oferta em regiões produtoras ou aumento de custos como frete, embalagem e diesel”, acrescenta.
Arroz e Farinha
Em relação ao arroz, o consultor explica que o produto é mais estável que os hortifrutigranjeiros, mas depende da safra, das exportações e do consumo interno.
“O Dieese aponta que, em 2025, a combinação entre aumento da oferta e demanda fraca puxou os preços para baixo. Para 2026, o arroz pode manter um patamar mais baixo se a oferta continuar boa, mas pode subir caso a próxima safra seja menor, as exportações aumentem ou os custos de produção e logística subam”, afirma.
Sobre a farinha de mandioca, amplamente consumida em Manaus, Hans destaca que o preço depende fortemente da produção no interior e do custo do transporte.
“O preço pode subir em caso de problemas de produção, como redução do plantio ou impactos climáticos, além de dificuldades logísticas, como estiagem severa e aumento do custo do transporte”, explica.
Impacto no orçamento
Para o consultor financeiro, a redução no preço da cesta básica ajuda a conter a inflação dos alimentos e aumenta o poder de compra das famílias.
“O Dieese mostra que, em dezembro de 2025, o trabalhador com salário mínimo em Manaus comprometeu 44,18% da renda líquida para adquirir a cesta básica e precisou trabalhar 89 horas e 55 minutos para comprar os itens”, aponta.
Segundo ele, quando o valor da cesta cai, esse percentual tende a diminuir, representando um alívio no orçamento familiar. No entanto, o impacto nem sempre se reflete em consumo adicional.
“Para muitas famílias, esse ‘alívio’ acaba sendo direcionado para despesas como remédios, gás, energia, água, transporte ou pagamento de dívidas. Muitas vezes, não vira consumo extra, mas sim a possibilidade de respirar e se reorganizar financeiramente”, observa.
Boa vontade do mercado?
De acordo com o consultor, a redução e a estabilidade dos preços dos alimentos não dependem apenas da “boa vontade do mercado”, mas de políticas públicas e estruturais.
“Crédito e estímulo à produção, apoio à agricultura familiar, armazenamento, escoamento, abastecimento e monitoramento de preços são fundamentais”, ressalta.
Segundo ele, a Conab atribui a queda generalizada a investimentos e políticas agrícolas que aumentaram a produção e a disponibilidade de alimentos no país.
“O próprio relatório da Conab e do Dieese aponta que o monitoramento de preços contribui para políticas de segurança alimentar e abastecimento. Sem esses investimentos, o risco é de preços mais instáveis”, alerta.
Agronegócio

Para o economista Altamir Cordeiro, a queda no preço da cesta básica no Brasil e na região Norte está associada a diversos fatores, como o aumento da oferta de carne bovina e mudanças nas tarifas de exportação de outros países, especialmente os Estados Unidos.
“Houve redução das tarifas de importação de alguns produtos da cesta básica, fazendo com que eles permanecessem no mercado brasileiro e elevassem a oferta. Além disso, o clima favorável melhorou as safras do agronegócio, reduzindo os preços”, explica.
Segundo o economista, os preços dos alimentos dependem diretamente das condições climáticas, do câmbio e das tarifas de exportação e importação, mas há possibilidade de manutenção da estabilidade ao longo de 2026.
Preços em baixa
ltamir Cordeiro avalia que, com os preços e a inflação em baixa, tende a haver melhora no poder aquisitivo das famílias, especialmente em Manaus, que é referência industrial na região devido ao Polo Industrial.
“É fundamental manter políticas agrícolas que ampliem a oferta de alimentos e garantam preços acessíveis para a população”, afirma.
A assistente administrativa e estudante de Jornalismo, Tânia Félix, de 45 anos, relata que, ao fazer compras no início deste ano, percebeu redução nos preços de itens essenciais da cesta básica em comparação com 2024.

“Percebi a queda no preço das cestas básicas, no entanto, ainda gostaria que o preço do café diminuísse, pois continua elevado. Apesar da queda ser positiva, é importante pesquisar e manter a atenção para encontrar as melhores ofertas”, conclui.
De acordo com a Conab, o recuo nos preços está diretamente ligado ao aumento da produção de alimentos no país, impulsionado por investimentos do governo federal no setor agrícola.












