Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Moradores da região do rio Juma, entre os municípios de Autazes e Careiro Castanho, no Amazonas, denunciam a realização de um mapeamento florestal para fins de leilão sem qualquer consulta prévia às comunidades locais. A área, rica em biodiversidade, abriga cerca de 7 mil pessoas, entre ribeirinhos, pequenos agricultores e donos de pousadas voltadas ao turismo de pesca esportiva.
A ação está sendo promovida sob um edital do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que prevê a concessão florestal da região. De acordo com relatos, uma embarcação já percorre o rio para catalogar espécies de árvores e estimar o valor da floresta, com vistas a futuras negociações de manejo ou até de créditos de carbono.
O caso foi denunciado pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), que anunciou nesta semana que vai entrar com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) e no próprio Ministério do Meio Ambiente pedindo explicações sobre a legalidade da iniciativa. Segundo o parlamentar, o projeto contraria o próprio edital ao ignorar a exigência de ouvir os moradores antes de qualquer levantamento.


“Fomos surpreendidos com a informação de um barco com uma equipe que ganhou a licitação para fazer um relatório da floresta. Eles estão quantificando o número de árvores para estimar quanto vale a área, mas ninguém foi consultado. Isso é ilegal”, disse o senador da tribuna, em Brasília.
Plínio também alertou para o fato de que o responsável pelo mapeamento seria um ex-funcionário do próprio Ministério do Meio Ambiente, que recebeu R$ 350 mil para realizar o serviço.
“É uma aberração. Querem vender uma floresta frágil como se fosse mercadoria. O rio Juma é pequeno, bonito, vive da pesca esportiva. Não serve para exploração madeireira nem para crédito de carbono, mas querem transformar isso num negócio”, completou o senador.
A região, que há décadas é ocupada por famílias que vivem de forma sustentável, abriga cerca de 60 pousadas e movimenta a economia local com turismo ecológico. O temor agora é que o projeto resulte em expulsões forçadas de moradores, como já foi denunciado em outras áreas da Amazônia em operações conduzidas por órgãos ambientais como Ibama e ICMBio.
O senador afirma que os próprios ribeirinhos o alertaram sobre a movimentação da equipe técnica na região. Eles chegaram a abordar o barco de forma pacífica e pediram a retirada da embarcação.
“Eles educadamente pediram para a embarcação se retirar. Não é justo: você vive ali há anos, cuida da floresta, e de repente alguém vem ganhar dinheiro com o que você preservou”, criticou Plínio.
O caso deve ser investigado pelo Ministério Público Federal, que será acionado para apurar a legalidade da iniciativa e os possíveis impactos sobre os direitos das populações tradicionais.






