Redação Rios
MANAUS (AM) – O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), aparece no centro de dossiês que apontam a participação do crime organizado no financiamento de campanhas políticas. A repercussão ocorre após a prisão de sua ex-chefe de gabinete, Anabela Cardoso Freitas, investigada por envolvimento em um esquema de tráfico de drogas e corrupção.
Em um dos casos, um documento foi entregue à Polícia Federal, em janeiro de 2024, pelo deputado federal Amom Mandel (Cidadania). O material aponta indícios de infiltração de organizações criminosas nos poderes municipal e estadual e cita uma possível parceria envolvendo a campanha de David Almeida em 2020.
Segundo o relatório, o dossiê reúne um compilado de investigações e análises que indicariam que a articulação envolvia um dos chefes da facção criminosa Comando Vermelho e pessoas ligadas à campanha do atual prefeito de Manaus.
“Era de interesse do CV/AM (Comando Vermelho), à época, ter essa aproximação com políticos, pois praticavam a invasão de terras, vendiam lotes, traficavam drogas e cobravam uma espécie de condomínio de cada residência. Esse tipo de dinâmica foi interessante para a campanha de David Almeida, pois poderia levar serviços básicos a esses locais e aproveitar o voto de cabresto dessa população vulnerável”, informa um dos documentos publicados pela Revista Veja.
A mesma parceria também teria sido feita em 2022 com pessoas ligadas à equipe de campanha do governador Wilson Lima (União Brasil).
Outra denúncia
Relatório da Secretaria-Executiva Adjunta de Inteligência (SEAINT), divulgado pelo Portal Metrópoles em outubro de 2022, também aponta envolvimento do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), com organização criminosa.
O documento, com 63 páginas, sugere que a campanha do político em 2020 tenha destinado cerca de R$ 70 mil a integrantes da facção em troca de apoio. O relatório foi produzido a partir da análise de celulares de membros da organização.
Um dos aparelhos periciados pertenceu a Lenon Oliveira do Carmo, conhecido como Bileno, que foi morto em julho de 2022 durante um confronto policial na estrada do Puraquequara, zona Leste de Manaus.
Um dos diálogos encontrados no celular de Bileno cita apoio a David Almeida e Marcos Rotta (Avante), que na época era vice-prefeito e atualmente ocupa o cargo de secretário da Casa Civil.

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O dossiê das forças de segurança indicava que Bileno era peça fundamental para o Comando Vermelho, controlando o tráfico e autorizando reuniões entre intermediários da facção e postulantes a cargos no governo.
Mensagens apontam que os faccionados teriam sido procurados por assessores dos candidatos. A organização criminosa se comprometia a garantir votos em comunidades dominadas pelo CV em troca da regularização de áreas invadidas e da implementação de infraestrutura, como poços, asfaltamento e cisternas.
Áudios descritos no dossiê reforçam essa aproximação: “Fechou com o candidato” e “não está gostando muito da proposta e está esperando uma proposta melhor dele para fechar.”
Na época, David Almeida se manifestou sobre as acusações, classificando-as como levianas e infundadas. “Esse dossiê teria sido supostamente feito pela inteligência da Secretaria de Segurança, mas não foi reconhecido pelo Executivo e sequer está assinado”, diz uma nota divulgada pela Prefeitura de Manaus.
O gestor acrescentou ainda, “estou indignado que um suposto relatório de 2020 só tenha sido vazado dois anos depois e, coincidentemente, a 9 dias do segundo turno das eleições para o Governo do Amazonas. Pedirei na Justiça a cópia desse relatório para que, então, possa me pronunciar. Desde já, repudio todas as afirmações que possam nos ligar a qualquer ato ilícito e buscarei a devida reparação cível e criminal contra qualquer exploração sem base em provas”.
Operação Erga Omnes
A Operação Erga Omnes, que investiga um grupo criminoso suspeito de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção, colocou mais um nome ligado ao entorno do prefeito David Almeida (Avante) no centro de uma investigação policial.
Entre os presos está Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete de David e, até então, integrante da Comissão Municipal de Licitação de Manaus. Segundo a Polícia Civil, ela é alvo da apuração que investiga a existência de um núcleo político ligado a uma facção dentro da estrutura pública.
A operação policial desarticulou uma organização criminosa com atuação interestadual, investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo agentes públicos.
A Operação Erga Omnes é coordenada pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e contou com apoio de forças de segurança dos estados do Amazonas, Ceará, Piauí, Pará, Maranhão e Minas Gerais.
Ao todo, a Justiça expediu 24 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão. Até o momento, 13 prisões foram efetuadas, além do bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens e apreensão de veículos.
Entre os alvos da operação estão ex-assessores parlamentares de vereadores de Manaus, pessoas vinculadas à Prefeitura de Manaus, integrantes do Poder Judiciário e agentes das forças de segurança. Durante a ação, foram confirmadas as prisões de uma policial civil e de um policial militar.






