Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A participação do colunista Léo Dias como presença VIP em evento oficial da Prefeitura de Manaus voltou a gerar questionamentos e reações políticas durante as festividades de Réveillon realizadas na última terça-feira, 30/12, e quarta-feira, 31.
Parlamentares da oposição repercutiram a presença do jornalista e levantaram críticas sobre os altos valores pagos em cachês artísticos e sobre o formato da divulgação do evento, que, segundo eles, teria promovido diretamente o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), e o vice-prefeito Renato Junior (Avante), sem destaque ao perfil institucional da prefeitura.
Também foi citado o histórico recente de Léo Dias, que já havia participado do festival Sou Manaus – Passo a Paço.
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Mais uma vinda a Manaus
O jornalista esteve novamente em Manaus para cobrir a programação de Réveillon promovida pela prefeitura. Na terça-feira, ele acompanhou o Réveillon Gospel.
Já na quarta-feira, as comemorações ocorreram simultaneamente em três pontos turísticos da capital: o Complexo Turístico da Ponta Negra, o Parque Amazonino Mendes e o bairro Educandos, com atrações como Bruno & Marrone e Klessinha.
Na virada do ano, Léo Dias também participou da programação oficial realizada no mesmo espaço. A presença do colunista gerou questionamentos nas redes sociais, especialmente sobre um possível cachê pago pela gestão municipal.
Léo Dias já havia estado em Manaus durante a cobertura do festival Sou Manaus 2025, evento que ainda é alvo de questionamentos e está sob investigação do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) quanto à legalidade na contratação de artistas e à transparência no uso de recursos públicos.
A apuração teve início após denúncia formal apresentada pelo vereador Coronel Rosses (PL).
Denúncia
Portais de alcance nacional informam que o colunista cobra, em média, cerca de R$ 180 mil para cobertura de eventos, além de despesas com transporte e hospedagem.

Um portal de notícias local chegou a denunciar que, enquanto veículos de comunicação locais enfrentariam atrasos em pagamentos por parte da prefeitura, o jornalista teria recebido normalmente pelos serviços prestados.

Com relação a proposta, dentre as condições está: três stories para divulgação, 1 post feed pré-divulgação, 1 matéria do Portal Léo Dias e reels de entrevistas.
Na Band, onde trabalha atualmente no programa Melhor da Tarde, o jornalista ganha 200 mil reais mensais, após ter deixado o SBT, onde comandava o Fofocalizando.
Promoção pessoal
Outro ponto que chamou atenção foi a forma de divulgação do evento nas redes sociais. Publicações feitas durante as festividades marcaram perfis pessoais do prefeito David Almeida, do vice-prefeito Renato Junior e do presidente da Manauscult, Jender Lobato, sem menção ao perfil institucional da Prefeitura de Manaus.


Em uma das publicações, David Reis aparece ao lado do prefeito e celebra a realização do evento, classificando-o como o “melhor e maior réveillon de todos os tempos”.
Em outras postagens, que mostram o prefeito ao lado da cantora Klessinha, de Jender Lobato e também de Léo Dias e da primeira-dama Izabelle Fontenelle, novamente não há referência ao perfil oficial do município.
Críticas
A oposição criticou os gastos promovidos pela prefeitura com grandes eventos, enquanto, segundo os parlamentares, a cidade enfrenta problemas em áreas prioritárias, como infraestrutura, saúde e transporte coletivo.
Nas redes sociais, o vereador Capitão Carpê (PL) criticou a gestão municipal, relacionando os investimentos em festas à falta de melhorias na cidade. “Feliz Ano Novo. Aproveite os shows da prefeitura, porque asfalto não vai ter”, escreveu.
O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) questionou a transparência sobre o valor pago ao colunista. “Quanto custou o cachê do Léo Dias? Quanto isso está saindo para o contribuinte? Quem está pagando? Porque no Portal da Transparência não aparece”, afirmou.
Amauri Gomes (União Brasil) também criticou o que chamou de autopromoção do prefeito. “Esse prefeito é uma das pessoas mais carentes de atenção que já vi. Vamos ter a oportunidade de aposentá-lo nas eleições”, declarou.
Críticas da população
Internautas também manifestaram críticas à gestão municipal, especialmente quanto à falta de transparência nos gastos públicos com festas. “Nem adianta cobrar, porque a base vai votar para esconder essa informação”, comentou um usuário.

Outro internauta afirmou que a prioridade deveria ser saúde e infraestrutura, citando obras inacabadas na cidade. “Um monte de UBS abandonada por Manaus”, escreveu.
Média de shows
Klessinha e Bruno & Marrone são artistas já conhecidos dos eventos promovidos pela Prefeitura de Manaus, sob a gestão de David Almeida.
A cantora Klessinha participou de outro evento da prefeitura durante o aniversário de Manaus, em outubro de 2025, sendo uma das principais atrações. Na ocasião, a festa foi realizada no Sambódromo da cidade.
Durante o festival Sou Manaus – Passo a Paço 2025, realizado em setembro, a dupla Bruno & Marrone se apresentou na primeira noite, também como uma das principais atrações.
Valores dos shows
Em relação aos cachês, considerando valores médios de shows públicos em outras cidades, Bruno & Marrone receberam R$ 1,1 milhão para o Réveillon da Avenida Paulista, em São Paulo, na virada de 2024 para 2025.
Em 2022, um contrato para apresentação da dupla em Urucurituba, interior do Amazonas, no valor equivalente a R$ 500 mil, foi alvo de investigação. Na época, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu o show, considerando desproporcional o gasto diante de problemas estruturais enfrentados pelo município, como saneamento básico, saúde, educação e infraestrutura.
Recentemente, a Prefeitura de Coari contratou Klessinha, por meio da empresa Unipublicidade Organização de Eventos LTDA, para se apresentar durante as festividades de Réveillon do município, em um contrato estimado em R$ 350 mil.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Prefeitura de Manaus, a Fundação Municipal de Cultura e Artes (ManausCult) e o Portal Léo Dias para solicitar esclarecimentos sobre os questionamentos levantados, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.












